domingo, 15 de maio de 2011

URGÊNCIA E EMERGÊNCIA RETORNA A ICOARACI.

O Retorno da URGÊNCIA E EMERGÊNCIA 24h. em ICOARACI ficou de retornar a partir de primeiro de abril, depois da audiência pública na Câmara com o Secretário em exercício que garantiu o retorno dos serviços para a população, o campo de batalha se deu na própria unidade em sala fechada com os técnicos da SESMA e a direção da unidade que não queriam cumprir a determinação do secretário. A Pressão dos servidores, usuários, a comissão de saúde da câmara e o Sindsaúde na pessoa do Coordenador CARLOS COSTA levaram a equipe técnica da secretaria a se comprometer a restabelecer o serviço para a população e colocar os servidores, já lotados em outras unidades, em seus postos de trabalho na unidade de Icoaraci a partir de primeiro de abril.Vitória de Usuários e Servidores que conseguiram reverter a situação na unidade da Vila.

FRAUDES PRIVAM POPULAÇÃO DE OBRAS E SERVIÇOS INDISPENSÁVEIS.

        Desvios equivalem a uma escola reformada por mês
                                                                                                                                        
R$ 25 MILHÕES
Fraudes privam a população de obras e serviços indispensáveis
FILIPE SANCHES
Da Redação
Se fosse aplicado na reforma de escolas, o dinheiro público desviado dos cofres da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) por meio de contratações fraudulentas, num esquema que está sendo investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, seria possível reconstruir dez estabelecimentos de ensino a cada ano.
O montante desviado dos cofres públicos com a nomeação de funcionários fantasmas, laranjas e com a retenção de tíquetes-alimentação, em desvios que, segundo se estima, podem superar os R$ 25 milhões nos últimos cinco anos, possibilitaria, por exemplo, a reforma, em dois anos, de toda a perna sul da Alça Viária, a estrada que liga a Alça Viária à PA-252 e leva aos municípios de Acará e Bujaru. Refazer o trecho de 47 quilômetros, hoje tomado pelos buracos e pela lama, custará R$ 37,3 milhões.
Estima-se que entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão eram desviados da folha de pagamento de funcionários da Alepa a cada mês. Segundo levantamento preliminar do Ministério Público Estadual, esse foi o volume de desvios na folha de pagamento da Assembleia nos anos de 2008 e 2009, período em que a presidência da Casa era ocupada pelo deputado Domingos Juvenil (PMDB). A conta dos últimos dois anos é milionária: se calculado a partir do menor valor, R$ 800 mil, o acumulado dos desvios nos dois anos em que o peemedebista ocupou o cargo somaria R$ 19,2 milhões. 

sábado, 14 de maio de 2011

A perseverança de um povo!

A perseverança de um povo!
Primeiramente queremos parabenizar todos os servidores do SAMU 192, da gestão maior até o mais humilde dos servidores, pois todos tiveram papel importante na derrubada do maior e mais truculento de todos os secretários de saúde que já esteve na direção da SESMA. A queda do homem forte do prefeito Duciomar mostrou que ninguém está acima das leis dos homens e das leis de Deus. Mostrou, também, a força política que uma instituição como o SAMU-192 tem; a força de seus funcionários, a perseverança em lutar contra uma gestão que sempre tentou tirar de nós o que conquistamos com muita luta, nosso salário e o nosso local de trabalho que é o nosso bem maior depois de nossas famílias, foram essenciais para derrocada do homem que sempre direcionou e comandou, nos bastidores, a gestão Duciomar.
Esta vitória se traduziu no maior ato social que uma instituição poderia fazer para uma sociedade, as paralisações que denunciaram a terceirização do serviço, assim como o fechamento das UMS’s e a presença maciça dos servidores do SAMU-192 na câmara municipal, através da pressão feita em cima dos vereadores e dos representantes da SESMA, reverteu o fechamento de duas unidades de saúde que continham urgência e emergência, beneficiando milhares de famílias e dezenas de servidores que já estavam à disposição da SESMA sem ter onde trabalhar, sem dúvida esta foi a maior de todas as vitórias que o SAMU já obteve em toda a sua história de luta e resistência.
Com a saída do secretário não sabemos como vai ficar a questão da terceirização do serviço, mas na próxima terça-feira, dia 03/05, pela parte da manhã a comissão de saúde da câmara municipal de saúde de Belém estará presente no SAMU para uma visita e lá colocaremos que a falta de competência, de honestidade e de compromisso é que fazem do órgão uma instituição com falhas, mas se os recursos forem empregados como manda as portarias, o SAMU se tornará eficiente sem a necessidade de entregar o bem público para iniciativa privada. Sendo assim, contamos novamente com a presença de todos para mostrarmos que não estamos brincando e que o SAMU não será entregue para a iniciativa privada sem que lutemos para evitar este despautério.
Parabéns a todos os servidores do SAMU-192, vocês mostraram que somos carne de pescoço e que ninguém pode vir aqui e fazer o que quer, merecemos respeito e consideração, pois sempre lutamos por condições de trabalho para dar a esta população um pouco de dignidade no que diz respeito à saúde.

VIVA O SAMU-192 DE BELÉM DO PARÁ.
Escrito por FRANCISCO LUIS CASTELO
Farmacêutico e socorrista do SAMU.

ONDE ANDA O SÉRGIO PIMENTEL?

Após um ano das denuncias do DESVIO DE TICKET ALIMENTAÇÃO da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (leia-se PMB/GESTÃO DUCIOMAR COSTA) pouca coisa mudou. Os servidores dos HOSPITAIS "HUMBERTO MARADEI e MARIO PINOTT "continuam se alimentando do Pão que o Diabo amassou. O Ministério Público Estadual  por sua vez não concluiu o INQUÉRITO CIVIL aberto para apurar a roubalheira da secretaria. Enquanto esperamos a lentidão do M.P.ESTADUAL os profissionais vão se alimentando de larvas, pernas, asas e outras partes de insetos com a conivência da VIGILÂNCIA SANITÁRIA que, neste momento, só está servindo para extorqui comerciantes da nossa cidade com a finalidade de aumentar a receita municipal para encher os cofres do Prefeito Duciomar Costa. Os trabalhadores murmuram pelos corredores: "ESTE PREFEITO VAI SAIR MILIONÁRIO", "É UMA CORJA DE BANDIDOS QUE COLOCARAM NA SESMA", "AS NOSSAS PERDAS HISTÓRICAS ONDE ANDAM?", "ESSE CARA NÃO SE ELEGE PRA NADA" e outras frases semelhantes. Uma pergunta que não quer calar "ONDE ANDA O SECRETÁRIO "SÉRGIO PIMENTEL"?

SAÚDE DE BELÉM O CAOS ANUNCIADO.

Caros servidores e usuários fazendo algumas reflexões me vieram os seguintes pensamentos; em meio a tantas desgraças e desventuras vividas por usuários e trabalhadores vítimas da má gestão do SUS em Belém vemos; as pessoas em estado crítico serem transportadas, feitas animais irracionais, em veículos inadequados e por pessoas descompromissadas com a política de humanização. Servidores vítimas de acidente de trabalho (contato com sangue de soro positivo), com doenças ocupacionais sem assistência do SERVIÇO SAÚDE DO TRABALHADOR extinto dos setores e centralizado no IPAMB, porém, sem resolutividade alguma. Desvio de Ticket Alimentação e na contra partida temos uma refeição fornecida nos hospitais de prontos socorros de péssima qualidade, pra variar com óvnis (larvas, pernas de baratas, etc.) e sem nenhum teor de nutrição, aliada ao de sabor intragável da..., não sei do que podemos chamar, “alimentação?”. - Diante do quadro caótico e incontrolável da má gestão na área da saúde ainda temos os Gestores oportunistas que atrás da capa da competência, do nome e pela ótica capitalista do SUS desviam aparelhos que poderiam dar uma boa retaguarda aos munícipes e incentivam a privatização e terceirização dos serviços, para atender seus interesses particulares. Como já dizia o Procurador Federal ALLAN MANSUR uma verdadeira quadrilha toma conta da saúde no município. Esta é a Belém que outrora já teve uma REDE DE PROTEÇÃO a beira da organização e hoje conta com o desmonte desta rede que culmina com o desastre da ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA e a não ampliação das equipes de ACSs., MÁ REGULAÇÃO DOS SERVIÇOS e o fim da URGÊNCIA E EMERGÊNCIA nos bairros.

A insatisfação é geral e o POVO fala em uma única voz que não vê à hora desse Governo Duciomar acabar! Calma! Calma! Ainda falta um ano e meio.

Vivemos na contra mão dos avanços do SUS observados pelas autoridades de saúde do Brasil, inclusive os da última Conferência Nacional (13ª Nov/2007)Que tratou de Saúde, é claro, e Qualidade de Vida.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A MÁ GESTÃO MUNICIPAL E SEUS REFLEXOS.

DESVIO DA VERBA DA GDI LEVA SERVIDORES DAS UNIDADES DO ESTADO A 15(quinze) DIAS DE GREVE e garante o pagamento do 3º trimestre da Gratificação de Desempenho Institucional. A Secretaria Municipal de Saúde, segundo o próprio secretário SÉRGIO PIMENTEL, gastou, indevidamente, o recurso que seria para pagamento dos serviços produzidos nas UNIDADES GERENCIADAS PELO GOVERNO DO ESTADO. No para para acertar, com a omissão da Secretária de Saúde do ESTADO, no primeiro momento, deixou os servidores irritados porque ninguém queria assumir a divida com os mesmos. Até que apareceu o Secretário Municipal de Saúde no MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL com toda a sua prepotência admitindo que se apropriou indevidamente do recurso e que não iria pagá-lo. Depois de muita luta e atos públicos os trabalhadores receberam dia 31/12/10. Meu Deus, o que mais estranhamos foi somente no final de governo a SESPA dizer que a PMB NÃO VINHA FAZENDO OS REPASSES REGULARES.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

11 de setembro se chama Salvador Allende

11 de setembro se chama Salvador Allende

O Chile vive nestes dias três datas especiais e dois dramas profundamente entrelaçados. Este mês comemora-se o 40° aniversário da histórica vitória de Salvador Allende e da Unidade Popular nas eleições presidenciais. Naquele 4 de setembro de 1970, o povo chileno abriu as portas da história e empreendeu um profundo processo de transformações econômicas, sociais, culturais e políticas. A “via chilena para o socialismo” só foi derrotada pelo golpe de Estado de 11 de setembro de 1973 – que este ano completa 37 anos – protagonizado pelas Forças Armadas, mas estimulado pela direita, pela Democracia Cristã, pela burguesia e por Washington. O artigo é de Mario Amorós.

Mario Amorós (*), na Carta Maior

Essas datas são provavelmente as jornadas mais relevantes dos dois séculos de história republicana, junto com o 18 de setembro de 1810, quando se estabeleceu a primeira Junta Nacional de Governo, que abriu o caminho para o processo de independência finalizado em 1818 e que, depois de uma década convulsionada, culminou entre 1829 e 1833 com a imposição de um férreo estado oligárquico que se manteve até a vitória da Frente Popular, em 1938, da qual Salvador Allende foi um destacado dirigente.

A uma semana da comemoração do bicentenário da independência, 33 trabalhadores permanecem sepultados desde o dia 5 de agosto a 700 metros de profundidade na mina San José, devido às condições de exploração em que executavam sua tarefa, reconhecidas – a posteriori – pelos proprietários da mina e pelo próprio governo de Sebastián Piñera. Além disso, 34 presos políticos mapuches estão em greve de fome desde o dia 12 de julho. Se, contra o movimento operário, o governo aplica o restritivo Código do Trabalho, imposto pela ditadura em 1980, as mobilizações dos mapuches em defesa de seus territórios e de sua demanda de autonomia são brutalmente reprimidas e sancionadas penalmente com o recurso à Lei Antiterrorista que Pinochet aprovou em 1984.

Os estudos mais recentes confirmam que o Chile é um dos países onde a brecha entre ricos e pobres é mais acentuada, aproximando-se aos níveis encontrados, por exemplo, no Haiti, produto de políticas neoliberais cujas diretrizes a Concertação manteve inalteradas durante 20 anos e que, desde 11 de março, são impulsionadas por seu verdadeiro motor, uma direita de novo tipo, filha da contrarrevolução pinochetista e solidamente implantada no mundo popular.

Piñera prepara-se para viver seu primeiro 11 de setembro no Palácio la Moneda e para presidir os múltiplos atos do bicentenário com um insistente e retórico chamado à “unidade nacional”. Enquanto isso, os quatro partidos que integram a Concertação acabam de renovar suas direções para enfrentar o novo ciclo eleitoral que já aparece no horizonte, as eleições municipais de 2012 e as eleições parlamentares e presidenciais de 2013. O Partido Comunista está mergulhado nos debates de seu XXIV Congresso.

Para além da incógnita sobre o próximo candidato presidencial da Concertação (o que dependerá essencialmente da vontade de Michelle Bachelet, que conserva uma enorme aprovação popular), a encruzilhada que esta coalizão e as forças de esquerda deverão enfrentar no médio prazo reside na possibilidade de construir mais do que uma aliança pontual, como a que permitiu eleger em dezembro três deputados comunistas pela primeira vez desde 1973, costurando um acordo político e programático que permita abrir um novo período.

Às vezes são os pequenos gestos ou resultados os que mudam a história. No dia 15 de março de 1964 a inesperada vitória da esquerda em uma votação parcial para eleger um deputado em Curicó levou a direita a não apresentar um candidato próprio e a apoiar o social cristão Eduardo Frei Montalva, que derrotou Allende em setembro daquele ano. Há apenas um mês, na cidade de Penco, na região do Biobío, os dirigentes locais da Concertação e o Partido Comunista assinaram um acordo para unir-se desde o início nas eleições de 2012 com o objetivo de derrotar a direita, que atualmente governa a prefeitura.

O debate sobre suas projeções nacionais já está instalado na agenda política. A direita não tardou em exibir seu anticomunismo mais rude e na Democracia Cristã seguramente persistirão as dúvidas até o último momento. Enquanto isso, o Partido Socialista mostra-se favorável a explorar um pacto, assim como o Partido Comunista, na direção de uma ampla convergência de forças políticas e sociais para conquistar um governo “de novo tipo” que deixe para trás os dogmas neoliberais e possibilite o pleno desenvolvimento democrático do país.

A 37 anos do bombardeio do palácio de La Moneda e do início de uma cruel ditadura, a memória de Salvador Allende e da Unidade Popular iluminam esse caminho. Precisamente, aquela noite inesquecível de 4 de setembro de 1970, quando deixou de ser o “companheiro Allende” para converter-se no “companheiro presidente”, e acabou seu discurso na Alameda de Santiago, diante de milhares de pessoas que festejavam a vitória da UP, com palavras plenas do afeto sincero com o qual sempre se dirigiu aos trabalhadores e que mantém absoluta atualidade: “Esta noite, quando acariciarem seus filhos, quando buscarem o descanso, pensem na manhã dura que teremos pela frente, quando precisaremos colocar mais paixão, mais carinho, para fazer o Chile cada vez maior e tornar cada vez mais justa a vida em nossa pátria”.

(*) Doutor em História e Jornalista. Autor de “Companheiro Presidente. Salvador Allende, uma vida pela democracia e pelo socialismo”. Artigo publicado no jornal “Público”, de Madri.


11 de setembro se chama Salvador Allende

11 de setembro se chama Salvador Allende

O Chile vive nestes dias três datas especiais e dois dramas profundamente entrelaçados. Este mês comemora-se o 40° aniversário da histórica vitória de Salvador Allende e da Unidade Popular nas eleições presidenciais. Naquele 4 de setembro de 1970, o povo chileno abriu as portas da história e empreendeu um profundo processo de transformações econômicas, sociais, culturais e políticas. A “via chilena para o socialismo” só foi derrotada pelo golpe de Estado de 11 de setembro de 1973 – que este ano completa 37 anos – protagonizado pelas Forças Armadas, mas estimulado pela direita, pela Democracia Cristã, pela burguesia e por Washington. O artigo é de Mario Amorós.

Mario Amorós (*), na Carta Maior

Essas datas são provavelmente as jornadas mais relevantes dos dois séculos de história republicana, junto com o 18 de setembro de 1810, quando se estabeleceu a primeira Junta Nacional de Governo, que abriu o caminho para o processo de independência finalizado em 1818 e que, depois de uma década convulsionada, culminou entre 1829 e 1833 com a imposição de um férreo estado oligárquico que se manteve até a vitória da Frente Popular, em 1938, da qual Salvador Allende foi um destacado dirigente.

A uma semana da comemoração do bicentenário da independência, 33 trabalhadores permanecem sepultados desde o dia 5 de agosto a 700 metros de profundidade na mina San José, devido às condições de exploração em que executavam sua tarefa, reconhecidas – a posteriori – pelos proprietários da mina e pelo próprio governo de Sebastián Piñera. Além disso, 34 presos políticos mapuches estão em greve de fome desde o dia 12 de julho. Se, contra o movimento operário, o governo aplica o restritivo Código do Trabalho, imposto pela ditadura em 1980, as mobilizações dos mapuches em defesa de seus territórios e de sua demanda de autonomia são brutalmente reprimidas e sancionadas penalmente com o recurso à Lei Antiterrorista que Pinochet aprovou em 1984.

Os estudos mais recentes confirmam que o Chile é um dos países onde a brecha entre ricos e pobres é mais acentuada, aproximando-se aos níveis encontrados, por exemplo, no Haiti, produto de políticas neoliberais cujas diretrizes a Concertação manteve inalteradas durante 20 anos e que, desde 11 de março, são impulsionadas por seu verdadeiro motor, uma direita de novo tipo, filha da contrarrevolução pinochetista e solidamente implantada no mundo popular.

Piñera prepara-se para viver seu primeiro 11 de setembro no Palácio la Moneda e para presidir os múltiplos atos do bicentenário com um insistente e retórico chamado à “unidade nacional”. Enquanto isso, os quatro partidos que integram a Concertação acabam de renovar suas direções para enfrentar o novo ciclo eleitoral que já aparece no horizonte, as eleições municipais de 2012 e as eleições parlamentares e presidenciais de 2013. O Partido Comunista está mergulhado nos debates de seu XXIV Congresso.

Para além da incógnita sobre o próximo candidato presidencial da Concertação (o que dependerá essencialmente da vontade de Michelle Bachelet, que conserva uma enorme aprovação popular), a encruzilhada que esta coalizão e as forças de esquerda deverão enfrentar no médio prazo reside na possibilidade de construir mais do que uma aliança pontual, como a que permitiu eleger em dezembro três deputados comunistas pela primeira vez desde 1973, costurando um acordo político e programático que permita abrir um novo período.

Às vezes são os pequenos gestos ou resultados os que mudam a história. No dia 15 de março de 1964 a inesperada vitória da esquerda em uma votação parcial para eleger um deputado em Curicó levou a direita a não apresentar um candidato próprio e a apoiar o social cristão Eduardo Frei Montalva, que derrotou Allende em setembro daquele ano. Há apenas um mês, na cidade de Penco, na região do Biobío, os dirigentes locais da Concertação e o Partido Comunista assinaram um acordo para unir-se desde o início nas eleições de 2012 com o objetivo de derrotar a direita, que atualmente governa a prefeitura.

O debate sobre suas projeções nacionais já está instalado na agenda política. A direita não tardou em exibir seu anticomunismo mais rude e na Democracia Cristã seguramente persistirão as dúvidas até o último momento. Enquanto isso, o Partido Socialista mostra-se favorável a explorar um pacto, assim como o Partido Comunista, na direção de uma ampla convergência de forças políticas e sociais para conquistar um governo “de novo tipo” que deixe para trás os dogmas neoliberais e possibilite o pleno desenvolvimento democrático do país.

A 37 anos do bombardeio do palácio de La Moneda e do início de uma cruel ditadura, a memória de Salvador Allende e da Unidade Popular iluminam esse caminho. Precisamente, aquela noite inesquecível de 4 de setembro de 1970, quando deixou de ser o “companheiro Allende” para converter-se no “companheiro presidente”, e acabou seu discurso na Alameda de Santiago, diante de milhares de pessoas que festejavam a vitória da UP, com palavras plenas do afeto sincero com o qual sempre se dirigiu aos trabalhadores e que mantém absoluta atualidade: “Esta noite, quando acariciarem seus filhos, quando buscarem o descanso, pensem na manhã dura que teremos pela frente, quando precisaremos colocar mais paixão, mais carinho, para fazer o Chile cada vez maior e tornar cada vez mais justa a vida em nossa pátria”.

(*) Doutor em História e Jornalista. Autor de “Companheiro Presidente. Salvador Allende, uma vida pela democracia e pelo socialismo”. Artigo publicado no jornal “Público”, de Madri.


11 de setembro se chama Salvador Allende

11 de setembro se chama Salvador Allende

O Chile vive nestes dias três datas especiais e dois dramas profundamente entrelaçados. Este mês comemora-se o 40° aniversário da histórica vitória de Salvador Allende e da Unidade Popular nas eleições presidenciais. Naquele 4 de setembro de 1970, o povo chileno abriu as portas da história e empreendeu um profundo processo de transformações econômicas, sociais, culturais e políticas. A “via chilena para o socialismo” só foi derrotada pelo golpe de Estado de 11 de setembro de 1973 – que este ano completa 37 anos – protagonizado pelas Forças Armadas, mas estimulado pela direita, pela Democracia Cristã, pela burguesia e por Washington. O artigo é de Mario Amorós.

Mario Amorós (*), na Carta Maior

Essas datas são provavelmente as jornadas mais relevantes dos dois séculos de história republicana, junto com o 18 de setembro de 1810, quando se estabeleceu a primeira Junta Nacional de Governo, que abriu o caminho para o processo de independência finalizado em 1818 e que, depois de uma década convulsionada, culminou entre 1829 e 1833 com a imposição de um férreo estado oligárquico que se manteve até a vitória da Frente Popular, em 1938, da qual Salvador Allende foi um destacado dirigente.

A uma semana da comemoração do bicentenário da independência, 33 trabalhadores permanecem sepultados desde o dia 5 de agosto a 700 metros de profundidade na mina San José, devido às condições de exploração em que executavam sua tarefa, reconhecidas – a posteriori – pelos proprietários da mina e pelo próprio governo de Sebastián Piñera. Além disso, 34 presos políticos mapuches estão em greve de fome desde o dia 12 de julho. Se, contra o movimento operário, o governo aplica o restritivo Código do Trabalho, imposto pela ditadura em 1980, as mobilizações dos mapuches em defesa de seus territórios e de sua demanda de autonomia são brutalmente reprimidas e sancionadas penalmente com o recurso à Lei Antiterrorista que Pinochet aprovou em 1984.

Os estudos mais recentes confirmam que o Chile é um dos países onde a brecha entre ricos e pobres é mais acentuada, aproximando-se aos níveis encontrados, por exemplo, no Haiti, produto de políticas neoliberais cujas diretrizes a Concertação manteve inalteradas durante 20 anos e que, desde 11 de março, são impulsionadas por seu verdadeiro motor, uma direita de novo tipo, filha da contrarrevolução pinochetista e solidamente implantada no mundo popular.

Piñera prepara-se para viver seu primeiro 11 de setembro no Palácio la Moneda e para presidir os múltiplos atos do bicentenário com um insistente e retórico chamado à “unidade nacional”. Enquanto isso, os quatro partidos que integram a Concertação acabam de renovar suas direções para enfrentar o novo ciclo eleitoral que já aparece no horizonte, as eleições municipais de 2012 e as eleições parlamentares e presidenciais de 2013. O Partido Comunista está mergulhado nos debates de seu XXIV Congresso.

Para além da incógnita sobre o próximo candidato presidencial da Concertação (o que dependerá essencialmente da vontade de Michelle Bachelet, que conserva uma enorme aprovação popular), a encruzilhada que esta coalizão e as forças de esquerda deverão enfrentar no médio prazo reside na possibilidade de construir mais do que uma aliança pontual, como a que permitiu eleger em dezembro três deputados comunistas pela primeira vez desde 1973, costurando um acordo político e programático que permita abrir um novo período.

Às vezes são os pequenos gestos ou resultados os que mudam a história. No dia 15 de março de 1964 a inesperada vitória da esquerda em uma votação parcial para eleger um deputado em Curicó levou a direita a não apresentar um candidato próprio e a apoiar o social cristão Eduardo Frei Montalva, que derrotou Allende em setembro daquele ano. Há apenas um mês, na cidade de Penco, na região do Biobío, os dirigentes locais da Concertação e o Partido Comunista assinaram um acordo para unir-se desde o início nas eleições de 2012 com o objetivo de derrotar a direita, que atualmente governa a prefeitura.

O debate sobre suas projeções nacionais já está instalado na agenda política. A direita não tardou em exibir seu anticomunismo mais rude e na Democracia Cristã seguramente persistirão as dúvidas até o último momento. Enquanto isso, o Partido Socialista mostra-se favorável a explorar um pacto, assim como o Partido Comunista, na direção de uma ampla convergência de forças políticas e sociais para conquistar um governo “de novo tipo” que deixe para trás os dogmas neoliberais e possibilite o pleno desenvolvimento democrático do país.

A 37 anos do bombardeio do palácio de La Moneda e do início de uma cruel ditadura, a memória de Salvador Allende e da Unidade Popular iluminam esse caminho. Precisamente, aquela noite inesquecível de 4 de setembro de 1970, quando deixou de ser o “companheiro Allende” para converter-se no “companheiro presidente”, e acabou seu discurso na Alameda de Santiago, diante de milhares de pessoas que festejavam a vitória da UP, com palavras plenas do afeto sincero com o qual sempre se dirigiu aos trabalhadores e que mantém absoluta atualidade: “Esta noite, quando acariciarem seus filhos, quando buscarem o descanso, pensem na manhã dura que teremos pela frente, quando precisaremos colocar mais paixão, mais carinho, para fazer o Chile cada vez maior e tornar cada vez mais justa a vida em nossa pátria”.

(*) Doutor em História e Jornalista. Autor de “Companheiro Presidente. Salvador Allende, uma vida pela democracia e pelo socialismo”. Artigo publicado no jornal “Público”, de Madri.


quinta-feira, 8 de julho de 2010

O que é sindicalismo classista?

O que é sindicalismo classista?

Augusto César Petta *

O senso comum revela que o sindicato deve ser um instrumento de luta para a conquista de melhores salários e condições de trabalho. E essa idéia está baseada na origem dos sindicatos.

Os primeiros sindicatos nasceram na Inglaterra, no século XVIII, quando ocorreu a Revolução Industrial. Nesse momento histórico, o capitalismo adquire condições básicas para se tornar o modo de produção predominante. Para extrair mais valia, a burguesia impõe um ritmo de trabalho de 16 horas diárias. Após a utilização de algumas formas de luta, a classe operária vai criar os primeiros sindicatos. Organizadas clandestinamente, as trade-unions (uniões de ofícios) foram se transformando em referências importantes das lutas. Nesse período inicial, os sindicatos desenvolvem a luta econômica.

Mas, em 1837, surge o movimento cartista na Inglaterra, considerada a primeira atividade em que os sindicatos se envolvem na luta política propriamente dita. O nome é derivado de uma carta em que os operários reivindicam maiores liberdades políticas, inclusive direito de voto para todos. Em outros países, também há grandes mobilizações políticas, sendo a mais importante, a chamada Comuna de Paris, em que os operários, por alguns dias,em 1871,conquistaram o poder político na França.

Assim, podemos afirmar que já no século XIX, os sindicatos desenvolveram lutas econômicas e políticas. Foi no final do século XIX e início do século XX, que se consolidam as principais concepções sindicais, elaboradas por teóricos europeus. Nesse período, tradeunionismo, anarquismo, marxismo, social-democracia, o chamado sindicalismo cristão e trotskismo aparecem enquanto teorias elaboradas.

O tradeunionismo enfatiza a luta econômica e defende o sistema capitalista; o anarquismo reforça a greve e o sindicato, tem um posicionamento anti-capitalista, mas minimiza a importância do partido político e da luta institucional; a social-democracia se referencia na luta institucional e no partido político, apostando no evolucionismo e não na revolução e na luta de classes; o trotskismo aposta na luta de classes e na revolução, mas desconsidera a correlação de forças para chegar à sociedade socialista, provocando o divisionismo e o isolamento; o sindicalismo cristão conservador objetiva a conciliação entre o capital e o trabalho, é anti-socialista e defende o sindicalismo assistencialista; já o sindicalismo cristão progressista é anti-capitalista, considera que o sindicato deve desenvolver luta econômica e política e, na falta de uma elaboração teórica própria, se aproxima do modelo marxista.

A concepção marxista considera que os sindicatos são fundamentais para o desenvolvimento da luta econômica; porém essa luta desenvolvida sem uma conexão com a luta política, acaba sendo muito limitada. Para Marx, a luta econômica deve estar articulada com a luta política e com a luta ideológica, visando a conquista do poder político pelo proletariado. Neste sentido, as greves são muito importantes, mas não são os únicos instrumentos de luta. A unidade dos trabalhadores é essencial para se ter sucesso na luta de classes. O partido político é fundamental para que o proletariado conquiste o poder político.

A concepção marxista ilumina a visão classista de sindicato. Praticar sindicalismo classista significa optar, na luta de classes, a favor da classe trabalhadora; trabalhar para que os trabalhadores e as trabalhadoras efetivamente conquistem melhores salários e condições de trabalho, consigam reduzir a jornada de trabalho sem redução de salários; significa participar da luta política mais geral, visando a transformação profunda da sociedade; significa também desenvolver um processo de formação política e sindical da classe trabalhadora para que esta adquira consciência de classe avançada. Significa buscar a unidade internacional dos trabalhadores para organizar a luta anti-capitalista.

O sindicalismo classista não defende só os interesses imediatos de determinada categoria ou ramo de atividade, mas também os interesses históricos da classe trabalhadora. Ou seja, não se contenta em desenvolver a luta econômica no sistema capitalista, mas sim deseja o fim do sistema capitalista e a sua substituição pelo socialismo.

Na conjuntura atual, as eleições de 2010 adquirem importância central para o sindicalismo classista. Trata-se de eleger candidatos comprometidos com os interesses da classe trabalhadora. Nesse sentido, a CTB, confederações, federações e sindicatos classistas devem estimular o voto naqueles candidatos que defendam um projeto nacional de desenvolvimento que efetivamente valorize o trabalho e distribua a renda, abrindo novos caminhos para a construção da sociedade socialista.


* Professor, sociólogo, Coordenador Técnico do Centro de Estudos Sindicais (CES), membro da Comissão Sindical Nacional do PCdoB, ex- Presidente do SINPRO-Campinas e região, ex-Presidente da CONTEE.

Quem sou eu

Minha foto
Belém, PARÁ, Brazil
AS INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTA PÁGINA SÃO VIVIDAS PELAS PESSÔAS QUE AS ESCREVEM.