domingo, 15 de maio de 2011

Reflexão de Fidel Castro.

Reflexão de Fidel Castro:

Estava lendo materiais e livros em abundância para cumprir minha promessa de continuar a Reflexão de 14 de abril sobre la Batalha de Girón, quando dei uma olhada nas notícias frescas de ontem, que são abundantes como todos os dias. É possível acumular montanhas delas em qualquier semana, que vão desde o terremoto no Japão ao triunfo de Ollanta Humala sobre Keiko, filha de Alberto Fujimori, ex-presidente do Peru.

Por Fidel Castro Ruz

O Peru é grande exportador de prata, cobre, zinco, estanho e outros minerais; possui grandes jazidas de urânio que poderosas transnacionais aspiram a explorar. Do urânio enriquecido saem as mais terríveis armas que a humanidade já conheceu e o combustível das centrais eletronucleares que, apesar das advertências dos ecologistas, estavam sendo construídas a ritmo acelerado nos Estados Unidos, Europa e Japão.

Obviamente, não seria justo culpar o Peru por isto. Os peruanos não criaram o colonialismo, o capitalismo e o imperialismo. Tampoco se puede culpar o povo dos Estados Unidos, que também é vítima do sistema que engendrou ali os políticos mais imprudentes que o planeta já conheceu.

Em 8 de abril último, os senhores do mundo deram à luz seu costumeiro informe anual sobre as violações dos “direitos humanos”, que motivou uma aguda análise no sitio Rebelión, assinada pelo cubano Manuel E. Yepe, baseado na resposta do Conselho de Estado da China, enumerando fatos que demonstram a desastrosa situação de tais direitos nos Estados Unidos.

“…Os Estados Unidos são o país onde os direitos humanos são mais agredidos, tanto em seu próprio país como em todo o mundo, e são uma das nações que menos garantem a vida, a propriedade e a segurança pessoal de seus habitantes.

“Anualmente, uma em cada cinco pessoas é vítima de um crime, a taxa mais alta do planeta. Segundo dados oficiais, as pessoas com mais de 12 anos sofreram 4,3 milhões de atos violentos.

“A delinquência cresceu alarmantemente nas quatro maiores cidades do país (Filadélfia, Chicago, Los Ângeles e Nova Iorque) e se registraram notáveis aumentos em comparação com o ano anterior em outras grandes cidades (Saint Louis e Detroit).

“O Tribunal Supremo decidiu que a posse de armas para a defesa pessoal é um direito constitucional que não pode ser ignorado pelos governos estaduais. Noventa milhões dos 300 milhões de habitantes do país possuem 200 milhões de armas de fogo.

“No país foram registrados 12 mil homicidios causados por armas de fogo, enquanto 47 por cento dos roubos foram cometidos igualmente com o uso de armas desse tipo.

“À sombra da seção de “atividades terroristas” do Patriot Act, a tortura e a extrema violência para obter confissões de suspeitos são prácticas comuns. As condenações injustas se evidenciam nas 266 pessoas, 17 delas já no corredor da morte, que foram absolvidas graças a exames de DNA.

“Washington advoga pela liberdade na Internet para fazer da rede de redes uma importante ferramenta diplomática de pressão e hegemonia, mas impõe estritas limitações no ciberespaço em seu próprio território e trata de estabelecer un cerco legal para lidar com o desafio que representa Wikileaks e seus vazamentos.

“Com uma alta taxa de desemprego, a proporção de cidadãos estadunidenses que vive na pobreza alcançou um nível récorde. Um em cada oito cidadãos participou no ano pasado dos programas de cupons para alimentos.

“O número de famílias acolhidas em centros para desamparados aumentou 7 por cento e as familias tiveram que permanecer mais tempo nos centros de acolhida. Os delitos violentos contra estas famílias sem teto aumentam sem cessar.

“A discriminação racial permeia cada aspecto da vida social. Os grupos minoritários são discriminados em seus empregos, tratados de maneira indigna e não são levados em conta para promoções, benefícios ou processos de seleção de emprego. Um terço dos negros sofreu discriminação em seus lugares de trabalho, embora somente 16 por cento se atreveu a apresentar queixa.

“A taxa de desemprego entre os brancos é de 16,2 %, entre hispanos e asiáticos de 22 %, e entre os negros é de 33 %. Os afroamericanos e os latinos representam 41 por cento da população carcerária. A taxa de afroamericanos cumprindo prisão perpétua é 11 vezes mais alta que a de brancos.

“90 por cento das mulheres sofreu discriminação sexual de algum tipo em seu lugar de trabalho. Vinte milhões de mulheres são vítimas de violação, quase 60 mil presas sofreram agressão sexual ou violência. A quinta parte das estudantes universitárias são agredidas sexualmente e 60 por cento das violações em campus universitários ocorre nos dormitórios femininos.

“Nove em cada dez estudantes homossexuais, bissexuais ou transexuais sofrem assédio no centro escolar.

“O Informe dedica um capítulo a recordar as violações dos direitos humanos de que é responsável o governo dos Estados Unidos fora de suas fronteiras. As guerras do Iraque e do Afeganistão, dirigidas pelos EUA, causaram dados exorbitantes de vítimas entre a população civil destes países.

“As ações ‘antiterroristas’ dos EUA incluíram graves escândalos de abuso a prisioneiros, detenções indefinidas sem acusações ou julgamentos em centros de detenção como o de Guantânamo e outros lugares do mundo, criados para interrogar os denominados ‘presos de valor elevado’ onde se aplicam as piores torturas.

“O documento chinês também recorda que os EUA violaram o direito a existir e desenolver-se da população cubana sem acatar a vontade mundial expressa pela Assembleia Geral da ONU durante 19 anos consecutivos sobre ‘A necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba’.

“Os EUA não ratificaram convenções internacionais sobre os direitos humanos como o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais; a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher; a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e a Convenção sobre os Direitos da Criança.

“Os dados apresentados pelo governo chinês demonstram que o funesto histórico dos EUA neste terreno o desqualifica como ‘juiz dos direitos humanos no mundo’. Sua ‘diplomacia dos direitos humanos’ é pura hipocrisia de dois pesos e duas medidas a serviço de seus interesses imperiais estratégicos. O governo chinês aconselha o governo dos EUA a tomar medidas concretas para melhorar sua própria situação em direitos humanos, que examine e retifique suas atividades nesse terreno e detenha seus atos hegemônicos que consistem em utilizar os direitos humanos para interferir nos assuntos internos de outros países.”

O importante desta análise, a nosso juízo, é que se faça tal denúncia em um documento assinado pelo Estado chinês, um país de 1 bilhão e 341 milhões de cidadãos, que possui 2 trilhões de dólares em suas reservas monetárias, sem cuja cooperação comercial o império afunda. Parecia-me importante que nosso povo conhecesse os dados precisos contidos no documento do Conselho de Estado chinês.

Se Cuba o dissesse, careceria de importância; levamos mais de 50 anos denunciando esses hipócritas.

Martí tinha dito há 116 anos, em 1895: “…o caminho que se há de fechar, e o estamos fechando com nosso sangue, da anexação dos povos de nossa América ao Norte revolto e brutal que os despreza…”
“Vivi dentro do monstro, e conheço suas entranhas”.

Fidel Castro Ruz
23 de abril de 2011, 19h32
Fonte: Cubadebate
Tradução da Redação do
Vermelho

Fonte - Portal Vermelho - http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=152556&id_secao=9

URGÊNCIA E EMERGÊNCIA RETORNA A ICOARACI.

O Retorno da URGÊNCIA E EMERGÊNCIA 24h. em ICOARACI ficou de retornar a partir de primeiro de abril, depois da audiência pública na Câmara com o Secretário em exercício que garantiu o retorno dos serviços para a população, o campo de batalha se deu na própria unidade em sala fechada com os técnicos da SESMA e a direção da unidade que não queriam cumprir a determinação do secretário. A Pressão dos servidores, usuários, a comissão de saúde da câmara e o Sindsaúde na pessoa do Coordenador CARLOS COSTA levaram a equipe técnica da secretaria a se comprometer a restabelecer o serviço para a população e colocar os servidores, já lotados em outras unidades, em seus postos de trabalho na unidade de Icoaraci a partir de primeiro de abril.Vitória de Usuários e Servidores que conseguiram reverter a situação na unidade da Vila.

FRAUDES PRIVAM POPULAÇÃO DE OBRAS E SERVIÇOS INDISPENSÁVEIS.

        Desvios equivalem a uma escola reformada por mês
                                                                                                                                        
R$ 25 MILHÕES
Fraudes privam a população de obras e serviços indispensáveis
FILIPE SANCHES
Da Redação
Se fosse aplicado na reforma de escolas, o dinheiro público desviado dos cofres da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) por meio de contratações fraudulentas, num esquema que está sendo investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, seria possível reconstruir dez estabelecimentos de ensino a cada ano.
O montante desviado dos cofres públicos com a nomeação de funcionários fantasmas, laranjas e com a retenção de tíquetes-alimentação, em desvios que, segundo se estima, podem superar os R$ 25 milhões nos últimos cinco anos, possibilitaria, por exemplo, a reforma, em dois anos, de toda a perna sul da Alça Viária, a estrada que liga a Alça Viária à PA-252 e leva aos municípios de Acará e Bujaru. Refazer o trecho de 47 quilômetros, hoje tomado pelos buracos e pela lama, custará R$ 37,3 milhões.
Estima-se que entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão eram desviados da folha de pagamento de funcionários da Alepa a cada mês. Segundo levantamento preliminar do Ministério Público Estadual, esse foi o volume de desvios na folha de pagamento da Assembleia nos anos de 2008 e 2009, período em que a presidência da Casa era ocupada pelo deputado Domingos Juvenil (PMDB). A conta dos últimos dois anos é milionária: se calculado a partir do menor valor, R$ 800 mil, o acumulado dos desvios nos dois anos em que o peemedebista ocupou o cargo somaria R$ 19,2 milhões. 

sábado, 14 de maio de 2011

A perseverança de um povo!

A perseverança de um povo!
Primeiramente queremos parabenizar todos os servidores do SAMU 192, da gestão maior até o mais humilde dos servidores, pois todos tiveram papel importante na derrubada do maior e mais truculento de todos os secretários de saúde que já esteve na direção da SESMA. A queda do homem forte do prefeito Duciomar mostrou que ninguém está acima das leis dos homens e das leis de Deus. Mostrou, também, a força política que uma instituição como o SAMU-192 tem; a força de seus funcionários, a perseverança em lutar contra uma gestão que sempre tentou tirar de nós o que conquistamos com muita luta, nosso salário e o nosso local de trabalho que é o nosso bem maior depois de nossas famílias, foram essenciais para derrocada do homem que sempre direcionou e comandou, nos bastidores, a gestão Duciomar.
Esta vitória se traduziu no maior ato social que uma instituição poderia fazer para uma sociedade, as paralisações que denunciaram a terceirização do serviço, assim como o fechamento das UMS’s e a presença maciça dos servidores do SAMU-192 na câmara municipal, através da pressão feita em cima dos vereadores e dos representantes da SESMA, reverteu o fechamento de duas unidades de saúde que continham urgência e emergência, beneficiando milhares de famílias e dezenas de servidores que já estavam à disposição da SESMA sem ter onde trabalhar, sem dúvida esta foi a maior de todas as vitórias que o SAMU já obteve em toda a sua história de luta e resistência.
Com a saída do secretário não sabemos como vai ficar a questão da terceirização do serviço, mas na próxima terça-feira, dia 03/05, pela parte da manhã a comissão de saúde da câmara municipal de saúde de Belém estará presente no SAMU para uma visita e lá colocaremos que a falta de competência, de honestidade e de compromisso é que fazem do órgão uma instituição com falhas, mas se os recursos forem empregados como manda as portarias, o SAMU se tornará eficiente sem a necessidade de entregar o bem público para iniciativa privada. Sendo assim, contamos novamente com a presença de todos para mostrarmos que não estamos brincando e que o SAMU não será entregue para a iniciativa privada sem que lutemos para evitar este despautério.
Parabéns a todos os servidores do SAMU-192, vocês mostraram que somos carne de pescoço e que ninguém pode vir aqui e fazer o que quer, merecemos respeito e consideração, pois sempre lutamos por condições de trabalho para dar a esta população um pouco de dignidade no que diz respeito à saúde.

VIVA O SAMU-192 DE BELÉM DO PARÁ.
Escrito por FRANCISCO LUIS CASTELO
Farmacêutico e socorrista do SAMU.

ONDE ANDA O SÉRGIO PIMENTEL?

Após um ano das denuncias do DESVIO DE TICKET ALIMENTAÇÃO da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (leia-se PMB/GESTÃO DUCIOMAR COSTA) pouca coisa mudou. Os servidores dos HOSPITAIS "HUMBERTO MARADEI e MARIO PINOTT "continuam se alimentando do Pão que o Diabo amassou. O Ministério Público Estadual  por sua vez não concluiu o INQUÉRITO CIVIL aberto para apurar a roubalheira da secretaria. Enquanto esperamos a lentidão do M.P.ESTADUAL os profissionais vão se alimentando de larvas, pernas, asas e outras partes de insetos com a conivência da VIGILÂNCIA SANITÁRIA que, neste momento, só está servindo para extorqui comerciantes da nossa cidade com a finalidade de aumentar a receita municipal para encher os cofres do Prefeito Duciomar Costa. Os trabalhadores murmuram pelos corredores: "ESTE PREFEITO VAI SAIR MILIONÁRIO", "É UMA CORJA DE BANDIDOS QUE COLOCARAM NA SESMA", "AS NOSSAS PERDAS HISTÓRICAS ONDE ANDAM?", "ESSE CARA NÃO SE ELEGE PRA NADA" e outras frases semelhantes. Uma pergunta que não quer calar "ONDE ANDA O SECRETÁRIO "SÉRGIO PIMENTEL"?

SAÚDE DE BELÉM O CAOS ANUNCIADO.

Caros servidores e usuários fazendo algumas reflexões me vieram os seguintes pensamentos; em meio a tantas desgraças e desventuras vividas por usuários e trabalhadores vítimas da má gestão do SUS em Belém vemos; as pessoas em estado crítico serem transportadas, feitas animais irracionais, em veículos inadequados e por pessoas descompromissadas com a política de humanização. Servidores vítimas de acidente de trabalho (contato com sangue de soro positivo), com doenças ocupacionais sem assistência do SERVIÇO SAÚDE DO TRABALHADOR extinto dos setores e centralizado no IPAMB, porém, sem resolutividade alguma. Desvio de Ticket Alimentação e na contra partida temos uma refeição fornecida nos hospitais de prontos socorros de péssima qualidade, pra variar com óvnis (larvas, pernas de baratas, etc.) e sem nenhum teor de nutrição, aliada ao de sabor intragável da..., não sei do que podemos chamar, “alimentação?”. - Diante do quadro caótico e incontrolável da má gestão na área da saúde ainda temos os Gestores oportunistas que atrás da capa da competência, do nome e pela ótica capitalista do SUS desviam aparelhos que poderiam dar uma boa retaguarda aos munícipes e incentivam a privatização e terceirização dos serviços, para atender seus interesses particulares. Como já dizia o Procurador Federal ALLAN MANSUR uma verdadeira quadrilha toma conta da saúde no município. Esta é a Belém que outrora já teve uma REDE DE PROTEÇÃO a beira da organização e hoje conta com o desmonte desta rede que culmina com o desastre da ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA e a não ampliação das equipes de ACSs., MÁ REGULAÇÃO DOS SERVIÇOS e o fim da URGÊNCIA E EMERGÊNCIA nos bairros.

A insatisfação é geral e o POVO fala em uma única voz que não vê à hora desse Governo Duciomar acabar! Calma! Calma! Ainda falta um ano e meio.

Vivemos na contra mão dos avanços do SUS observados pelas autoridades de saúde do Brasil, inclusive os da última Conferência Nacional (13ª Nov/2007)Que tratou de Saúde, é claro, e Qualidade de Vida.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A MÁ GESTÃO MUNICIPAL E SEUS REFLEXOS.

DESVIO DA VERBA DA GDI LEVA SERVIDORES DAS UNIDADES DO ESTADO A 15(quinze) DIAS DE GREVE e garante o pagamento do 3º trimestre da Gratificação de Desempenho Institucional. A Secretaria Municipal de Saúde, segundo o próprio secretário SÉRGIO PIMENTEL, gastou, indevidamente, o recurso que seria para pagamento dos serviços produzidos nas UNIDADES GERENCIADAS PELO GOVERNO DO ESTADO. No para para acertar, com a omissão da Secretária de Saúde do ESTADO, no primeiro momento, deixou os servidores irritados porque ninguém queria assumir a divida com os mesmos. Até que apareceu o Secretário Municipal de Saúde no MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL com toda a sua prepotência admitindo que se apropriou indevidamente do recurso e que não iria pagá-lo. Depois de muita luta e atos públicos os trabalhadores receberam dia 31/12/10. Meu Deus, o que mais estranhamos foi somente no final de governo a SESPA dizer que a PMB NÃO VINHA FAZENDO OS REPASSES REGULARES.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

11 de setembro se chama Salvador Allende

11 de setembro se chama Salvador Allende

O Chile vive nestes dias três datas especiais e dois dramas profundamente entrelaçados. Este mês comemora-se o 40° aniversário da histórica vitória de Salvador Allende e da Unidade Popular nas eleições presidenciais. Naquele 4 de setembro de 1970, o povo chileno abriu as portas da história e empreendeu um profundo processo de transformações econômicas, sociais, culturais e políticas. A “via chilena para o socialismo” só foi derrotada pelo golpe de Estado de 11 de setembro de 1973 – que este ano completa 37 anos – protagonizado pelas Forças Armadas, mas estimulado pela direita, pela Democracia Cristã, pela burguesia e por Washington. O artigo é de Mario Amorós.

Mario Amorós (*), na Carta Maior

Essas datas são provavelmente as jornadas mais relevantes dos dois séculos de história republicana, junto com o 18 de setembro de 1810, quando se estabeleceu a primeira Junta Nacional de Governo, que abriu o caminho para o processo de independência finalizado em 1818 e que, depois de uma década convulsionada, culminou entre 1829 e 1833 com a imposição de um férreo estado oligárquico que se manteve até a vitória da Frente Popular, em 1938, da qual Salvador Allende foi um destacado dirigente.

A uma semana da comemoração do bicentenário da independência, 33 trabalhadores permanecem sepultados desde o dia 5 de agosto a 700 metros de profundidade na mina San José, devido às condições de exploração em que executavam sua tarefa, reconhecidas – a posteriori – pelos proprietários da mina e pelo próprio governo de Sebastián Piñera. Além disso, 34 presos políticos mapuches estão em greve de fome desde o dia 12 de julho. Se, contra o movimento operário, o governo aplica o restritivo Código do Trabalho, imposto pela ditadura em 1980, as mobilizações dos mapuches em defesa de seus territórios e de sua demanda de autonomia são brutalmente reprimidas e sancionadas penalmente com o recurso à Lei Antiterrorista que Pinochet aprovou em 1984.

Os estudos mais recentes confirmam que o Chile é um dos países onde a brecha entre ricos e pobres é mais acentuada, aproximando-se aos níveis encontrados, por exemplo, no Haiti, produto de políticas neoliberais cujas diretrizes a Concertação manteve inalteradas durante 20 anos e que, desde 11 de março, são impulsionadas por seu verdadeiro motor, uma direita de novo tipo, filha da contrarrevolução pinochetista e solidamente implantada no mundo popular.

Piñera prepara-se para viver seu primeiro 11 de setembro no Palácio la Moneda e para presidir os múltiplos atos do bicentenário com um insistente e retórico chamado à “unidade nacional”. Enquanto isso, os quatro partidos que integram a Concertação acabam de renovar suas direções para enfrentar o novo ciclo eleitoral que já aparece no horizonte, as eleições municipais de 2012 e as eleições parlamentares e presidenciais de 2013. O Partido Comunista está mergulhado nos debates de seu XXIV Congresso.

Para além da incógnita sobre o próximo candidato presidencial da Concertação (o que dependerá essencialmente da vontade de Michelle Bachelet, que conserva uma enorme aprovação popular), a encruzilhada que esta coalizão e as forças de esquerda deverão enfrentar no médio prazo reside na possibilidade de construir mais do que uma aliança pontual, como a que permitiu eleger em dezembro três deputados comunistas pela primeira vez desde 1973, costurando um acordo político e programático que permita abrir um novo período.

Às vezes são os pequenos gestos ou resultados os que mudam a história. No dia 15 de março de 1964 a inesperada vitória da esquerda em uma votação parcial para eleger um deputado em Curicó levou a direita a não apresentar um candidato próprio e a apoiar o social cristão Eduardo Frei Montalva, que derrotou Allende em setembro daquele ano. Há apenas um mês, na cidade de Penco, na região do Biobío, os dirigentes locais da Concertação e o Partido Comunista assinaram um acordo para unir-se desde o início nas eleições de 2012 com o objetivo de derrotar a direita, que atualmente governa a prefeitura.

O debate sobre suas projeções nacionais já está instalado na agenda política. A direita não tardou em exibir seu anticomunismo mais rude e na Democracia Cristã seguramente persistirão as dúvidas até o último momento. Enquanto isso, o Partido Socialista mostra-se favorável a explorar um pacto, assim como o Partido Comunista, na direção de uma ampla convergência de forças políticas e sociais para conquistar um governo “de novo tipo” que deixe para trás os dogmas neoliberais e possibilite o pleno desenvolvimento democrático do país.

A 37 anos do bombardeio do palácio de La Moneda e do início de uma cruel ditadura, a memória de Salvador Allende e da Unidade Popular iluminam esse caminho. Precisamente, aquela noite inesquecível de 4 de setembro de 1970, quando deixou de ser o “companheiro Allende” para converter-se no “companheiro presidente”, e acabou seu discurso na Alameda de Santiago, diante de milhares de pessoas que festejavam a vitória da UP, com palavras plenas do afeto sincero com o qual sempre se dirigiu aos trabalhadores e que mantém absoluta atualidade: “Esta noite, quando acariciarem seus filhos, quando buscarem o descanso, pensem na manhã dura que teremos pela frente, quando precisaremos colocar mais paixão, mais carinho, para fazer o Chile cada vez maior e tornar cada vez mais justa a vida em nossa pátria”.

(*) Doutor em História e Jornalista. Autor de “Companheiro Presidente. Salvador Allende, uma vida pela democracia e pelo socialismo”. Artigo publicado no jornal “Público”, de Madri.


11 de setembro se chama Salvador Allende

11 de setembro se chama Salvador Allende

O Chile vive nestes dias três datas especiais e dois dramas profundamente entrelaçados. Este mês comemora-se o 40° aniversário da histórica vitória de Salvador Allende e da Unidade Popular nas eleições presidenciais. Naquele 4 de setembro de 1970, o povo chileno abriu as portas da história e empreendeu um profundo processo de transformações econômicas, sociais, culturais e políticas. A “via chilena para o socialismo” só foi derrotada pelo golpe de Estado de 11 de setembro de 1973 – que este ano completa 37 anos – protagonizado pelas Forças Armadas, mas estimulado pela direita, pela Democracia Cristã, pela burguesia e por Washington. O artigo é de Mario Amorós.

Mario Amorós (*), na Carta Maior

Essas datas são provavelmente as jornadas mais relevantes dos dois séculos de história republicana, junto com o 18 de setembro de 1810, quando se estabeleceu a primeira Junta Nacional de Governo, que abriu o caminho para o processo de independência finalizado em 1818 e que, depois de uma década convulsionada, culminou entre 1829 e 1833 com a imposição de um férreo estado oligárquico que se manteve até a vitória da Frente Popular, em 1938, da qual Salvador Allende foi um destacado dirigente.

A uma semana da comemoração do bicentenário da independência, 33 trabalhadores permanecem sepultados desde o dia 5 de agosto a 700 metros de profundidade na mina San José, devido às condições de exploração em que executavam sua tarefa, reconhecidas – a posteriori – pelos proprietários da mina e pelo próprio governo de Sebastián Piñera. Além disso, 34 presos políticos mapuches estão em greve de fome desde o dia 12 de julho. Se, contra o movimento operário, o governo aplica o restritivo Código do Trabalho, imposto pela ditadura em 1980, as mobilizações dos mapuches em defesa de seus territórios e de sua demanda de autonomia são brutalmente reprimidas e sancionadas penalmente com o recurso à Lei Antiterrorista que Pinochet aprovou em 1984.

Os estudos mais recentes confirmam que o Chile é um dos países onde a brecha entre ricos e pobres é mais acentuada, aproximando-se aos níveis encontrados, por exemplo, no Haiti, produto de políticas neoliberais cujas diretrizes a Concertação manteve inalteradas durante 20 anos e que, desde 11 de março, são impulsionadas por seu verdadeiro motor, uma direita de novo tipo, filha da contrarrevolução pinochetista e solidamente implantada no mundo popular.

Piñera prepara-se para viver seu primeiro 11 de setembro no Palácio la Moneda e para presidir os múltiplos atos do bicentenário com um insistente e retórico chamado à “unidade nacional”. Enquanto isso, os quatro partidos que integram a Concertação acabam de renovar suas direções para enfrentar o novo ciclo eleitoral que já aparece no horizonte, as eleições municipais de 2012 e as eleições parlamentares e presidenciais de 2013. O Partido Comunista está mergulhado nos debates de seu XXIV Congresso.

Para além da incógnita sobre o próximo candidato presidencial da Concertação (o que dependerá essencialmente da vontade de Michelle Bachelet, que conserva uma enorme aprovação popular), a encruzilhada que esta coalizão e as forças de esquerda deverão enfrentar no médio prazo reside na possibilidade de construir mais do que uma aliança pontual, como a que permitiu eleger em dezembro três deputados comunistas pela primeira vez desde 1973, costurando um acordo político e programático que permita abrir um novo período.

Às vezes são os pequenos gestos ou resultados os que mudam a história. No dia 15 de março de 1964 a inesperada vitória da esquerda em uma votação parcial para eleger um deputado em Curicó levou a direita a não apresentar um candidato próprio e a apoiar o social cristão Eduardo Frei Montalva, que derrotou Allende em setembro daquele ano. Há apenas um mês, na cidade de Penco, na região do Biobío, os dirigentes locais da Concertação e o Partido Comunista assinaram um acordo para unir-se desde o início nas eleições de 2012 com o objetivo de derrotar a direita, que atualmente governa a prefeitura.

O debate sobre suas projeções nacionais já está instalado na agenda política. A direita não tardou em exibir seu anticomunismo mais rude e na Democracia Cristã seguramente persistirão as dúvidas até o último momento. Enquanto isso, o Partido Socialista mostra-se favorável a explorar um pacto, assim como o Partido Comunista, na direção de uma ampla convergência de forças políticas e sociais para conquistar um governo “de novo tipo” que deixe para trás os dogmas neoliberais e possibilite o pleno desenvolvimento democrático do país.

A 37 anos do bombardeio do palácio de La Moneda e do início de uma cruel ditadura, a memória de Salvador Allende e da Unidade Popular iluminam esse caminho. Precisamente, aquela noite inesquecível de 4 de setembro de 1970, quando deixou de ser o “companheiro Allende” para converter-se no “companheiro presidente”, e acabou seu discurso na Alameda de Santiago, diante de milhares de pessoas que festejavam a vitória da UP, com palavras plenas do afeto sincero com o qual sempre se dirigiu aos trabalhadores e que mantém absoluta atualidade: “Esta noite, quando acariciarem seus filhos, quando buscarem o descanso, pensem na manhã dura que teremos pela frente, quando precisaremos colocar mais paixão, mais carinho, para fazer o Chile cada vez maior e tornar cada vez mais justa a vida em nossa pátria”.

(*) Doutor em História e Jornalista. Autor de “Companheiro Presidente. Salvador Allende, uma vida pela democracia e pelo socialismo”. Artigo publicado no jornal “Público”, de Madri.


11 de setembro se chama Salvador Allende

11 de setembro se chama Salvador Allende

O Chile vive nestes dias três datas especiais e dois dramas profundamente entrelaçados. Este mês comemora-se o 40° aniversário da histórica vitória de Salvador Allende e da Unidade Popular nas eleições presidenciais. Naquele 4 de setembro de 1970, o povo chileno abriu as portas da história e empreendeu um profundo processo de transformações econômicas, sociais, culturais e políticas. A “via chilena para o socialismo” só foi derrotada pelo golpe de Estado de 11 de setembro de 1973 – que este ano completa 37 anos – protagonizado pelas Forças Armadas, mas estimulado pela direita, pela Democracia Cristã, pela burguesia e por Washington. O artigo é de Mario Amorós.

Mario Amorós (*), na Carta Maior

Essas datas são provavelmente as jornadas mais relevantes dos dois séculos de história republicana, junto com o 18 de setembro de 1810, quando se estabeleceu a primeira Junta Nacional de Governo, que abriu o caminho para o processo de independência finalizado em 1818 e que, depois de uma década convulsionada, culminou entre 1829 e 1833 com a imposição de um férreo estado oligárquico que se manteve até a vitória da Frente Popular, em 1938, da qual Salvador Allende foi um destacado dirigente.

A uma semana da comemoração do bicentenário da independência, 33 trabalhadores permanecem sepultados desde o dia 5 de agosto a 700 metros de profundidade na mina San José, devido às condições de exploração em que executavam sua tarefa, reconhecidas – a posteriori – pelos proprietários da mina e pelo próprio governo de Sebastián Piñera. Além disso, 34 presos políticos mapuches estão em greve de fome desde o dia 12 de julho. Se, contra o movimento operário, o governo aplica o restritivo Código do Trabalho, imposto pela ditadura em 1980, as mobilizações dos mapuches em defesa de seus territórios e de sua demanda de autonomia são brutalmente reprimidas e sancionadas penalmente com o recurso à Lei Antiterrorista que Pinochet aprovou em 1984.

Os estudos mais recentes confirmam que o Chile é um dos países onde a brecha entre ricos e pobres é mais acentuada, aproximando-se aos níveis encontrados, por exemplo, no Haiti, produto de políticas neoliberais cujas diretrizes a Concertação manteve inalteradas durante 20 anos e que, desde 11 de março, são impulsionadas por seu verdadeiro motor, uma direita de novo tipo, filha da contrarrevolução pinochetista e solidamente implantada no mundo popular.

Piñera prepara-se para viver seu primeiro 11 de setembro no Palácio la Moneda e para presidir os múltiplos atos do bicentenário com um insistente e retórico chamado à “unidade nacional”. Enquanto isso, os quatro partidos que integram a Concertação acabam de renovar suas direções para enfrentar o novo ciclo eleitoral que já aparece no horizonte, as eleições municipais de 2012 e as eleições parlamentares e presidenciais de 2013. O Partido Comunista está mergulhado nos debates de seu XXIV Congresso.

Para além da incógnita sobre o próximo candidato presidencial da Concertação (o que dependerá essencialmente da vontade de Michelle Bachelet, que conserva uma enorme aprovação popular), a encruzilhada que esta coalizão e as forças de esquerda deverão enfrentar no médio prazo reside na possibilidade de construir mais do que uma aliança pontual, como a que permitiu eleger em dezembro três deputados comunistas pela primeira vez desde 1973, costurando um acordo político e programático que permita abrir um novo período.

Às vezes são os pequenos gestos ou resultados os que mudam a história. No dia 15 de março de 1964 a inesperada vitória da esquerda em uma votação parcial para eleger um deputado em Curicó levou a direita a não apresentar um candidato próprio e a apoiar o social cristão Eduardo Frei Montalva, que derrotou Allende em setembro daquele ano. Há apenas um mês, na cidade de Penco, na região do Biobío, os dirigentes locais da Concertação e o Partido Comunista assinaram um acordo para unir-se desde o início nas eleições de 2012 com o objetivo de derrotar a direita, que atualmente governa a prefeitura.

O debate sobre suas projeções nacionais já está instalado na agenda política. A direita não tardou em exibir seu anticomunismo mais rude e na Democracia Cristã seguramente persistirão as dúvidas até o último momento. Enquanto isso, o Partido Socialista mostra-se favorável a explorar um pacto, assim como o Partido Comunista, na direção de uma ampla convergência de forças políticas e sociais para conquistar um governo “de novo tipo” que deixe para trás os dogmas neoliberais e possibilite o pleno desenvolvimento democrático do país.

A 37 anos do bombardeio do palácio de La Moneda e do início de uma cruel ditadura, a memória de Salvador Allende e da Unidade Popular iluminam esse caminho. Precisamente, aquela noite inesquecível de 4 de setembro de 1970, quando deixou de ser o “companheiro Allende” para converter-se no “companheiro presidente”, e acabou seu discurso na Alameda de Santiago, diante de milhares de pessoas que festejavam a vitória da UP, com palavras plenas do afeto sincero com o qual sempre se dirigiu aos trabalhadores e que mantém absoluta atualidade: “Esta noite, quando acariciarem seus filhos, quando buscarem o descanso, pensem na manhã dura que teremos pela frente, quando precisaremos colocar mais paixão, mais carinho, para fazer o Chile cada vez maior e tornar cada vez mais justa a vida em nossa pátria”.

(*) Doutor em História e Jornalista. Autor de “Companheiro Presidente. Salvador Allende, uma vida pela democracia e pelo socialismo”. Artigo publicado no jornal “Público”, de Madri.


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