POR CONTA DO JOGO DA SELEÇÃO, APENAS 2(DUAS) AMBULÂNCIAS DO SAMU FAZEM A COBERTURA DOS ACIDENTES NA CIDADE DE BELÉM. CUIDADO! Estamos em plena a quarta-feira dia 28 de setembro, dia do JOGO DA SELEÇÃO BRASILEIRA X A SELEÇÃO DA ARGENTINA caso Belém venha ter uma catastrofe ou um acidente de grande proporção apenas duas ambulância estarão a disposição da população. Esperamos que não haja necessidade porém, se houver necessidade teremos dificuldades de atender aos chamados via 192. Quem sabe a parceria com o CORPO DE BOMBEIROS resolveria o problema.
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SAÚDE UM DIREITO DE TODOS E UM DEVER DO ESTADO.
O Movimento Social precisa ver LUZ NO FINAL DO TÚNEL.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
ASSEMBLÉIA DOS SERVIDORES DA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA.
Servidores, o PCCR sempre foi o sonho de todos os servidores do município de Belém, pois eleincorporaria todos os abonos e gratificações aos nossos salários e garantiria uma aposentadoria digna quando deixássemos à ativa. Isto sem falar na progressãoem nossas carreiras, valorizando aqueles que se qualificassem, assim como o tempo destinado ao serviço público.
Mas o PCCR do prefeito Duciomar, que custou aos cofres públicos do município de Belém R$ 170.281,32 (cento e setenta mil duzentos e oitenta e um reais e trinta e dois centavos) – DOM de Belém de 09/11/2009 – que poderia sair de graça se fosse discutido com os servidores e seus representantes legalmente eleitos,destrói este sonho, desvaloriza os servidores efetivos e valoriza os DASs do prefeito. Este PCCR cortará todas as nossas gratificações e abonos, logo, qualquer negociação de maneira isolada não irá adiantar, pois o PCCR do prefeito cortará qualquer gratificação dada agora.O pior é que permitira ao prefeito governar através de decretos, como um ditador.
A única chance de enfrentarmos este crime será unificando todas as categorias da prefeitura para fazer uma frente de oposição contra este flagelo. E uma frente de batalha começou a surgir, a união das Associações dos Servidores do SAMU e do HPSM do Guamá, da comissão de servidores do HPSM da14, que é o embrião para a formação da associação daquele hospital, assim como,dos servidores das UMSs dará inicio a luta contra esta lei nefasta e juntos começaremos uma aliança poderosa contra os desmandos do prefeito Duciomar.
Desta forma, ficou marcada uma grande assembléia, que será realizada no dia 04/10/2011, no estacionamento do HPSM da 14, às 18H., onde será discutido a forma de enfrentamento contra a aprovação desta lei e ratificará a união de todos os servidores para a formação de uma grande força organizacional de defesa dos direitos dos servidores, já que os sindicatos como SISBEL e SINDSAÚDE se encontram nas mãos de bandidos oportunistas aliados ao prefeito.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
NOTA DE REPÚDIO DA DIREÇÃO ELEITA DA CHAPA 01 RENOVAR O SINDSAÚDE.
Sempre tratando os trabalhadores da Base da Saúde como se fossem insignificantes a EXECUTIVA DO SINDSAÚDE E SEUS ACÓLITOS não respeitam a decisão das urnas, de Assembléias e qualquer outro fórum deliberativo da categoria, atenta e observando as fragilidades da entidade as GESTÕES ESTADUAL E MUNICIPAL continuam jogando soltas sem que ninguém faça o contra ponto em defesa dos direitos dos servidores que diariamente são tolidos e usurpados dos mesmos, tais como; REDUÇÃO DE ADICIONAL DE TURNO, REDUÇÃO DE VENCIMENTO BASE, REAJUSTE DO PABSS, MUNICIPALIZAÇÃO COM PERDA DE DIREITOS, FALTA DE CONCURSO PÚBLICO, NÃO REAJUSTE DAS GRATIFICAÇÕES, NÃO PAGAMENTO DO TICKET ALIMENTAÇÃO, REDUÇÃO E ATRASO DA GDI, DESCONTO DO IMPOSTO SINDICAL EM FAVOR DO SISBEL e outras mazelas das gestões.
COM A CERTEZA DE IMPUNIDADE OS GESTORES TRIPUDIAM em cima da justiça sempre prejudicando trabalhadores e usuários do SUS, além de termos um SINDICATO INOPERANTE por falta de direção. Desde abril deste ano, quando houve a eleição do Sindsaúde Seção Belém, a SESMA vem investindo ou deixando de investir. Investindo em corte e retiradas de direitos, deixando de investir nos servidores que, por falta de compromisso da gestão, ainda se encontram sem um PLANO DE CARREIRA e por conta disso a SESMA/PMB está perdendo a GESTÃO PLENA DOS HOSPITAIS EM BELÉM, que vergonha!
Na ELEIÇÃO REALIZADA EM ABRIL foi escolhida pelos TRABALHADORES a CHAPA 1 “RENOVAR O SINDSAÚDE” a Executiva do Sindsaúde por retaliação não empossou e quer a todo custo puxar uma nova eleição, prevista para o dia 04/08(leia-se adiada para o dia 16 de agosto) contra a vontade dos servidores e sem a participação da CHAPA RENOVAR O SINDSAÚDE. Esta atitude descabida prejudicou e muito toda a categoria da saúde em PLENA A DATA BASE não havendo, se quer, movimento algum no sentido de negociação do reajuste das gratificações, pagamento de ticket alimentação e outros benefícios que poderiam ser pautados neste período, inclusive o PCCR. Diante deste quadro nós Diretores Eleitos da CHAPA 01”RENOVAR O SINDSAÚDE” repudiamos esta atitude da DEIREÇÃO EXECUTIVA DO SINDSAÚDE, pois a mesma não representa os interesses de nós servidores que contribuímos com a entidade há anos.
Não concordamos com a forma desta pseudo ELEIÇÃO que está prevista de acontecer por conta de todo o processo está sendo atropelado, propositalmente, para que não haja participação de alguns seguimentos da base eleitoral deste sindicato como, por exemplo; SAMU 192, HPSM GUAMÁ e ABES, as lideranças destes setores estão sendo excluídas do processo eleitoral da forma mais arbitrária que já se viu, por este e outros motivos não podemos concordar com está ELEIÇÃO ILEGAL para atender interesses pessoais e políticos partidários.
SERVIDORES DA SAÚDE MERECEM RESPEITO DA EXECUTIVA DO SINDSAÚDE.
Texto: CARLOS HAROLDO COSTA
Diretor da ASSOCIAÇÃO DO SAMU
Acadêmico de Gestão em Saúde
SAMU ESTÁ ENTRANDO EM COLAPSO
Depois que todo o projeto de terceirização foi por água abaixo, devido às denúncias feitas pelos servidores, o SAMU entra em uma crise vista somente quando a gestão estava na mão de um dos mais incompetentes dos coordenadores que já passaram por aqui, Marcio Cunha. E hoje tudo volta à tona, o mesmo tipo de gestão está de volta. Carros sucateados, bases descentralizadas sem a mínima condição de manter uma equipe por vinte e quatro horas, arrogância e descaso com o servidor é a tônica desta coordenação, falta de gestão total. Tudo se deu depois que nada deu certo para a gestão local e a SESMA, pois acreditando que iriam privatizar o serviço, não investiram no SAMU e agora estamos à deriva, já que o órgão não poderá dar lucro para aqueles sangues sugas da SESMA e seus subordinados, que iriam lucrar com a terceirização, tudo foi abandonado. Mas deixado de lado de propósito, pois, ser for verdade a informação que chegou até nós, e que vamos averiguar, a atual oficina, que presta serviço para o SAMU, tal qual como era a suspencar, tem como dono um parente do prefeito, isto mostra, claramente que, quanto mais for para a oficina os carros, mais dinheiro vai parar no bolso deste suposto aparentado. Viva a impunidade!
Outra coisa grave que aconteceu foi a tentativa de tirar os servidores da central e realizar a troca de plantão nas bases, arbitrariamente trocaram todas as equipes de suas bases, agora a anarquia está instalada, pois até então, tudo estava funcionando muito bem, todas chegavam, pegavam suas respectivas ambulâncias e seguiam para as suas bases, agora não há mais bases fixas, e a falta de ambulâncias agravam mais ainda o que já está pior, tudo isto depois do advento da gestão Guataçara.
A realidade é que o serviço está entrando em colapso, não há interesse da gestão que o SAMU funcione, a precariedade atende aos interesses de pessoas que só querem lucrar com o sucateamento de nossas ambulâncias. Até quando vamos aturar isto? Quando a justiça vai fazer a sua parte? Com a palavra os órgãos de controle social.
OBS.: tudo vai piorar mais, com a saída em massa dos médicos traumatologista da SESMA, uma conversa com um do líderes do movimento, ele me afirmou que todos iriam se descredenciar da SESMA.
Coitado do povo que elegeu este homem.
Francisco Luis Castelo da Costa
Diretor da ASSOCIAÇÃO DO SAMU
Farmaceutico
O MOVIMENTO ESTUDANTIL NO CHILE.
“O Movimento Estudantil deve levantar uma voz política que reclame por mudanças sociais”
Entrevista com José Manuel Morales, da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECh).
Por Joana Salém Vasconcelos.
Colaboradora da Secretaria de Relações Internacional do PSOL.
De Santiago do Chile.
Meu nome é Jose Manuel Morales, eu sou o encarregado de finanças da FECh (Federação de Estudantes da Universidad de Chile), e também sou senador universitário do Conselho da Universidad de Chile, que é um órgão tripartite, colegiado, com função normativa na universidade.
JSV – Faz quanto tempo que a educação pública chilena não é gratuita?
JMM – A reforma que eliminou a gratuidade foi feita em 1981, sob a ditadura. Eliminou-se grande quantidade dos recursos que iam para as universidades estatais, se autorizou a criação de universidades privadas novas, e criou-se o sistema de crédito “Solidário” como forma de pagamento da educação. É nesse ano que se fez a grande reforma educacional que eliminou a gratuidade do ensino superior.
JSV – Em média, quanto custa um curso universitário e quais são as opções de pagamento?
JMM - O preço varia bastante, é bem heterogêneo. Uma graduação muito cara, uma das mais caras que existe, pode chegar a custar 4 milhões de pesos ao ano [aproximadamente R$ 16 mil ao ano]. Até as carreiras técnicas, mais baratas, que podem custar 500 mil pesos ao ano [aproximadamente R$ 4 mil ao ano]. Esses são os dois extremos. Minha graduação em Sociologia na Universidad de Chile, por exemplo, custa 2,19 milhões de pesos ao ano [aproximadamente R$ 8.760 ao ano]. Há dois sistemas de crédito para pagar o curso. Um deles é restrito às universidades do CRUCh [Conselho de Reitores das Universidades mais antigas, sendo 16 estatais, 6 católicas e 2 privadas], ou seja, às universidades tradicionais que são aquelas que existem desde antes da lei de 1981. Esse sistema se chama Fundo Solidário, e tem uma taxa de juros de 2,6%. Essa taxa é mais amigável que o outro sistema, que é o “crédito com aval do Estado”. Esse outro crédito é um fundo que surgiu em 2005, vale tanto para as universidades tradicionais quanto para as universidades novas, e tem uma taxa de juros bastante onerosa, de 6%. Além disso, existem vários sistemas de bolsas de estudo, todos concentrados nas duas faixas socioeconômicas mais baixas. O sistema de ajuda nacional divide a população em cinco faixas segundo o nível de riqueza. Como o sistema de bolsas se concentra nas duas faixas de menor renda, um setor importante da população de classe média, que pertence às terceira e quarta faixas, fica desprotegido.
JSV- Ou seja, a ampla maioria tem que pagar para estudar...
JMM – A maioria tem que pagar.
JSV – O movimento que se fortaleceu este ano é herdeiro da revolução dos pingüins em 2006. Você acha que daqui a alguns anos o movimento pode voltar ainda mais forte?
JMM – Sim, e isso pode ocorrer em pouco tempo. As diferenças desse movimento em relação ao movimento de 2006 são, primeiro, que agora há mais atores, não somente os estudantes, mas também intelectuais, trabalhadores, professores... A cidadania em seu conjunto se agregou ao movimento. E a segunda diferença é que além de questionar o sistema educacional, o movimento questiona aspectos estruturais da sociedade em seu conjunto. Então, estamos diante de um movimento que, se bem planejado, pode afetar a forma de entender a democracia e as desigualdades no interior do Chile.
JSV – Como está a articulação dos estudantes com os mineiros do cobre? O que vocês estão planejando fazer na greve nacional dos mineiros marcada para os dias 24 e 25 de agosto?
JMM – Os trabalhadores da CODELCO, que é a empresa nacional do cobre e representa 25% da exploração de cobre de todo país (o resto é privatizado), conseguiram realizar uma paralisação nacional de um dia em todas as unidades, e foi um golpe muito forte contra o governo como medida de pressão. Eles mesmos [os trabalhadores] reconhecem que não teriam conseguido essa paralisação se os estudantes não tivessem tocado em temas de fundo como a nacionalização do cobre. Existe uma forte coordenação principalmente com a Central de Trabalhadores, que representa todos os sindicatos do país.
JSV – Nesse contexto, qual você pensa ser o papel do movimento estudantil na sociedade?
JMM – São dois papeis paralelos. Por um lado, canalizar as demandas da categoria, as reivindicações dos estudantes com respeito a bolsas, pagamentos, ou seja, problemas que surgem da condição própria dos estudantes. E por outro lado, levantar uma voz política que reclame por mudanças sociais. Esse movimento atual tem uma demanda política, e o governo nos criticou muito por isso. Mas a verdade é que isso fez com que ganhássemos apoio de muita gente.
JSV – Até agora como estão as negociações com o governo, e quais são as principais conquistas do movimento?
JMM – As negociações estão congeladas. Ocorreu a mudança de Ministro agora, saiu o ministro Lavín e entrou o senhor Bulnes. Nós estamos vendo como vai se comportar esse novo ministro. Ele disse que esperava conversar conosco na próxima semana. Amanhã em Punta Arenas, no sul, vai ocorrer uma reunião da CONFECh – Confederação que reúne todas as Federações Estudantis das universidades tradicionais – que vai analisar o cenário. Nós estamos dispostos ao diálogo, estamos conversando... Mas ainda não estamos dispostos a subir numa mesa de negociações, porque pensamos que a saída dessa situação não deve ocorre em uma mesa somente com estudantes e o governo. Os estudantes defendem que deve haver mais atores na mesa de negociação. Além disso, não existe uma vontade explícita da parte do governo de avançar nas demandas que estamos reivindicando. Mas já avançamos em alguns pontos. Um deles é o reconhecimento geral de que a educação chilena está em crise. Antes de nosso movimento, se admitia que o a educação não estava em crise, e que a crítica ao sistema era a reclamação de uns poucos privilegiados. Agora não, é reconhecido que é preciso fazer algo. Por isso o presidente, em cadeia nacional de televisão, anunciou uma série de políticas públicas para a educação superior. Nós criticamos a ele porque nada foi dito sobre o tema da democracia, um tema que nos preocupa muito. Também criticamos porque ele não falou nada sobre a educação secundária, que está muito mobilizada. Ele disse que estaria disposto a colocar certa quantidade de recursos nestas medidas. Uma coisa que caracteriza este governo é que “seus projetos tem letra pequena”, como se diz. Os títulos são muito atraentes, mas as especificidades dos projetos revelam que se trata de mais uma medida neoliberal. Então existe essa desconfiança. O GANE – Grande Projeto Nacional de Educação, proposto por Piñera – é uma resposta às nossas demandas ou é nada mais que o aprofundamento do modelo? Por isso nós até agora o rechaçamos. Há no projeto, por exemplo, que uma quantidade dos recursos vai para mil bolsas destinadas aos estudantes de mais baixa renda como forma de acesso complementar a universidade...
JSV – Mas no universo geral de estudantes isso é muito pouco, não é?
JMM – É, é pouco. Essas são bolsas complementares. Mas o tema do acesso a educação superior é uma demanda importante desse movimento. Para que não entrem somente os privilegiados. Então o plano apresenta algumas coisas positivas, mas em seu conjunto não cumpre nossas demandas. Também não está claro quais são as saídas para algumas temas específicos. Então estamos rechaçando o plano, mas em nenhum sentido com as portas de negociação fechadas.
JSV – E Piñera falou algo sobre o orçamento da educação?
JMM - Sim. Piñera sempre disse que iria destinar, em seis anos, 4 bilhões de dólares para a educação e disse aos reitores que estava disposto a aumentar os aportes [subsídios] das universidades, ou seja, o dinheiro que o Estado entrega diretamente às universidades estatais. Isso é tudo o que disse. Estamos atentos se essa promessa vai se materializar.
JSV - E este novo ministro tem um histórico similar ao Lavín [Ministro da Educação anterior que foi deslocado para o Planejamento]? É proprietário de universidades privadas?
JMM - Não. O ministro Felipe Bulnes é filho, neto e bisneto de uma grande casta de políticos, presidentes, ministros do Chile. Ele vem dos setores mais oligarcas do pais. Isso é algo que se deve ter em conta. Entretanto não é da Opus Dei. O Ministro Lavín é membro da Opus Dei. O s setores mais reacionários da igreja católica... Bulnes talvez tenha maior capacidade de negociação e vem tentar fazer acordos. Esperamos que ele cumpra seu propósito. E estamos atentos para ver o que vai oferecer, a materialização do que já se anunciou, e os temas ainda pendentes.
JSV – O povo chileno está junto com os estudantes em sua luta ou não se pode fazer um diagnóstico preciso desse apoio?
JMM – Sim. Nós temos certeza de que isso é assim. Existem pesquisas, ainda que se possa questionar sua veriacidade. Existem pesquisas que apontam que há 86% de aprovação da sociedade. A isso se soma a desaprovação do governo. Este é o governo que desde a democratização tem o índice de desaprovação maior, cerca de 60%. As pessoas fazem doações ao movimento, as pessoas apóiam ativamente. Há um ambiente de sintonia entre os estudantes e os cidadãos. Além disso, Camila Vallejos, a presidenta da FECh, tem uma forte liderança e é uma pessoa muito querida, respeitada. As pessoas sentem apreço por ela. E claro, há um apoio ao movimento em seu conjunto e não só aos dirigentes.
JSV - E qual é o próximo ato político do movimento partir de agora?
JMM - Está convocado para o dia 30/7 uma jornada massiva cidadã no parque O’Higgins. Não estou absolutamente seguro da data, talvez isso atrase uma semana. Estamos preparando não uma marcha, e sim uma “concentração”, que seja no fim de semana para incluir a presença das famílias. Nossos pais nem sempre podem marchar conosco por que é dia de trabalho e nem todos os trabalhadores podem parar aqui no Chile. Essa é a próxima ação de massas que estamos preparando.
Amanhã é a reunião da CONFECh [Confederação dos Estudantes Chilenos], que agrupa todas as Federações Estuidantis das universidades tradicionais. O que nos preocupa muito é manter um discurso unitário com os professores universitários, com os estudantes do secundário, e com professores do secundário. Para que quando comecem a avançar as negociações, o governo saiba que o bloco social mobilizado esta muito unido e com demandas em comum. Estamos avançando nestes dois aspectos agora.
JSV - E além da reivindicação de gratuidade, de ampliação do acesso as universidades e de renacionalização do cobre para garantir a gratuidade da educação, quais são as outras demandas principais do movimento estudantil?
JMM - Existem algumas outras demandas relacionada somente a educação. Primeiro, a gratuidade ao menos para as três faixas mais pobres. Ou seja, se não conseguimos outras mudanças estruturais, que ao menos este setor estude gratuitamente. Se conseguimos a gratuidade inteira muito melhor!
Segundo, o tema do acesso a universidade. Terceiro, por maior democracia dentro da universidade. A maioria das universidades do Chile tem estatutos que são herdados da ditadura e que não dão espaços de participação. Quarto, maior número de bolsas com maior ajuda econômica aos estudantes, o tema dos transportes, alimentação, etc. Quinto, maiores contribuições fiscais para as universidades, para bons projetos de pesquisa e ensino. Para que as pesquisas tenham interesse público. Estas são as demandas diretamente relacionadas com a educação.
Há também as demandas mais estruturais, como a renacionalização do cobre. Além disso, defendemos uma reforma tributária, que permita que as empresas que tenham mais lucros sejam as que mais contribuam ao Estado, pois efetivamente o sistema tributário é muito regressivo. Aqueles que menos tem são os que mais pagam. Defendemos também uma Assembléia Constituinte. A Constituição do Chile é herdada de Pinochet, e precisa ser rediscutida em uma grande assembléia nacional com todos os atores. O movimento defende uma reforma profunda contra falta de democracia e contra a desigualdade social no Chile.
Para concluir, gostaria de fazer uma saudação ao Brasil. Para nós Brasil é um exemplo de organização estudantil. Nós, estudantes chilenos, ainda não estamos unidos num organismo nacional. A CONFECh reúne somente as universidades tradicionais. Neste ano avançamos muito e tem sido muito positivo no sentido de fomentar a organização e o trabalho conjunto com as universidades privadas. A experiência brasileira é muito importante pois há um sistema unificado de todos os estudantes. Estes são os próximos passos que nos temos como movimento estudantil.
JSV - Me parece que a capacidade política dos estudantes chilenos em relação à organização de base social esteja muito superior a nossa atualmente no Brasil. Em termos de organização nacional o movimento estudantil brasileiro talvez tenha mais experiência e mais história, muitos anos de entidades que têm características nacionais. Porém com a força que vocês têm no movimento de massas no Chile, creio que não vai ser difícil construir um organismo nacional com muita força e representatividade, além de capacidade para conquistar as reivindicações.
JMM - As discussões entre estudantes aqui deixou claro que isso é uma necessidade e que nós temos que fazê-lo rapidamente. Para não perder a organização conquistada este ano, construir uma entidade nacional de todos os estudantes universitários e secundaristas é fundamental.
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ANTONIO JACINTO ÍNDIO
sábado, 23 de julho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
O QUE ACONTECEU COM A SAÚDE DO TRABALHADOR DE BELÉM?
Nos tempos atuais os servidores públicos municipais vem encontrando sérias dificuldades para receberem os benefícios da ASSISTÊNCIA SAÚDE DO IPAMB tais como: LIMITAÇÕES DO QUANTITATIVO DE EXAMES, O SERVIÇO SAÚDE DO TRBALHADOR não atende as necessidades de profissionais que são acometidos de ACIDENTES DE TRABALHO e com baixa resolução de tais problemas. O Inchaço da máquina pública com contratados em todas as secretarias e sem ampliação do número de profissionais e de serviços vem causando transtornos de todas as ordens e quando precisamos do PABS temos que sujeitar-nos a mau atendimento, espera incansável e madrugar nas filas para especialidades. Ta na hora de tomarmos medidas drásticas para melhorarmos a resolutividade com relação ao atendimento do PLANO DE SAÚDE QUE PAGAMOS O TEMPO TODO E QUANDO PRECISAMOS SOMOS TRATADOS DE FORMA INDIFERENTE.
Vamos dar um basta nesta situação que se agrava a cada dia. A ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DO SAMU estará promovendo debate sobre SAÚDE DO TRABALHADOR e o PLANO DE ASSISTENCIA BÁSICA do Instituto de Previdência do Município de Belém no dia / / as h. para tomarmos uma decisão no sentido de resolvermos este estado de coisas negativas que estamos sofrendo pela falta de gerenciamento.
OS servidores da URGÊNCIA PRECISAM TER 24H. um serviço que resolva esta situação, como é o caso dos trabalhadores do SERVIÇO DE ATENDIMENTO MÓVEL DE URGÊNCIA que têm enfrentado no dia a dia situações como: ter que fazer exames específicos quando se acidentam nos feriados, finais de semana e pronto atendimento em caso de acidentes de trânsito e doenças ocupacionais, haja vista que estamos expostos a acidentes no desempenhar de nossas atribuições, seguro de vida caso ocorra uma fatalidade.
| Após várias conversas com servidores chegamos à seguinte conclusão; não dá pra ficar do jeito que está e algumas providências precisam ser tomadas a fim de resolver tal situação, alguns questionamentos apresentaram-se, por exemplo: A GESTÃO PRECISA DISPONIBILIZAR O SEGURO DOS CARROS DO SERVIÇO PARA OS PROFISSIONAIS, O IPAMB PRECISA DESCENTRALIZAR O SERVIÇO SAÚDE DO TRABALHADOR E RETORNÁ-LO PARA A INSTITUIÇÃO COMO TINHAMOS ANTES, INSTALÇÃO DE UMA COMISSÃO DE CIPA, OS SERVIDORES PRECISÃO OPTAR SE CONTINUAM COM O PABS OU SE DESEJAM OUTRO PLANO DE SAÚDE, OS PROFISSIONAIS QUE SE ACIDENTAM TERÃO ACOMPANHAMENTO E DE QUEM? E por aí a fora... |
VISANDO DISCUTIR TODA ESSA SITUAÇÃO, DEVEREMOS REALIZAR UM DEBATE MUITO EM BREVE PARA RETIRARMOS OS ENCAMINHAMENTOS E TENTARMOS, DA FORMA LEGAL, RESOLVER TODO ESTE EMBRÓGLIO DA GESTÃO MUNICIPAL QUE NÃO TEM INTERESSE EM CUIDAR DA SAÚDE DOS SERVIDORES QUE SERIA O SEU PAPEL, SEGUNDO AS ORIENTAÇÕES DO MINISTÉRIO DA SAÚDE.
A título de informação já temos MANDADO DE SEGURANÇA concedido a servidores públicos que suspende o desconto do PABS em folha de pagamento e considera bitributação o desconto conforme o artigo 154, inciso I da Constituição Brasileira. Como vemos alem de sermos mal atendidos ainda estamos sendo obrigados a permanecer em um plano de saúde que pode ser reajustado ao prazer da Prefeitura.
domingo, 29 de maio de 2011
O PT esqueçeu os trabalhadores...
O PT esqueceu os trabalhadores
Por Mino Carta, na revista CartaCapital:
A posição da mídia nativa em relação ao Caso Palocci intriga os meus inquietos botões. Há quem claramente pretenda criar confusão. Outros tomam o partido do chefe da Casa Civil. Deste ponto de vista a Veja chega aos píncaros: Palocci em Brasília é o paladino da razão e se puxar seus cadarços vai levitar.
Ocorre que Antonio Palocci tornou-se um caso à parte ao ocupar um cargo determinante como a chefia da Casa Civil, mas com perfil diferente daqueles que o precederam na Presidência de Lula. José Dirceu acabou pregado na cruz. Dilma foi criticada com extrema aspereza inúmeras vezes e sofreu insinuações e acusações descabidas sem conta. A bem da sacrossanta verdade factual, ainda no Ministério da Fazenda o ex-prefeito de Ribeirão Preto deu para ser apreciado pelo chamado establishment e seu instrumento, a mídia nativa.
As ações de Palocci despencaram quando surgiu em cena o caseiro Francenildo, e talvez nada disso ocorresse em outra circunstância, porque aquele entrecho era lenha no fogo da campanha feroz contra a reeleição de Lula. Sabe-se, e não faltam provas a respeito, de que uma contenda surda desenrolava-se dentro do governo entre Palocci e José Dirceu. Consta que o atual chefe da Casa Civil e Dilma não se bicavam durante o segundo mandato de Lula, o qual seria enfim patrocinador do seu retorno à ribalta.
E com poderes largos, como grande conselheiro, negociador junto à turma graúda, interlocutor privilegiado do mercado financeiro e do empresariado, a contar com a simpatia de amplos setores da mídia nativa. Um ex-trotskista virou figura querida do establishment, vale dizer com todas as letras. Ele trafega com a devida solenidade pelas páginas impressas e nos vídeos, mas é convenientemente escondido quando é preciso, como se envergasse um uniforme mimético a disfarçá-lo na selva da política.
Murmuram os botões, em tom sinistro e ao mesmo tempo conformado: pois é, a política… Está claro que se Lula volta à cena para orquestrar a defesa de Palocci com a colaboração de figuras imponentes como José Sarney, o propósito é interferir no jogo do poder ameaçado e garantir a estabilidade do governo de Dilma Rousseff, fragilizado nesta circunstância.
A explicação basta? Os botões negam. CartaCapital sempre se postou contra a busca do poder pelo poder por entender que a política também há de ser pautada pela moral e pela ética, igual a toda atividade humana. Fatti non foste a viver come bruti, disse Dante Alighieri. Traduzo livremente: vocês não foram criados para praticar, embrutecidos, a lei do mais forte. Nós de CartaCapital poderemos ser tachados de ingênuos, ou iludidos nesta nossa crença, mas a consideramos inerente à prática do jornalismo.
No tempo de FHC, cumprimos a tarefa ao denunciar as mazelas daqueles que Palocci diz imitar, na aparente certeza de que, por causa disso, merece a indulgência plenária. Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Rezende, e outros fortemente enriquecidos ao deixarem o governo graças ao uso desabrido da inside information, foram alvo de CartaCapital, e condenados sem apelação. Somos de coerência solar ao mirar agora em Antonio Palocci.
Em outra época, os vilões foram tucanos. Chegou a hora do PT, um partido que, alcançado o poder, se portou como os demais, clubes armados para o deleite dos representantes da minoria privilegiada. Devo dizer que conheço muito bem a história do Partido dos Trabalhadores. A primeira reportagem de capa publicada por uma semanal sobre a liderança nascente de Luiz Inácio da Silva, dito o Lula, remonta a começos de fevereiro de 1978. IstoÉ foi a revista, eu a dirigia. Escrevi a reportagem e em parceria com Bernardo Lerer entrevistei o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, na vanguarda de um sindicalismo oposto ao dos pelegos.
Dizia a chamada de capa, estampada sobre o rosto volitivo do jovem líder: Lula e os Trabalhadores do Brasil. Já então sabia do seu projeto, criar um partido para defender pobres e miseráveis do País. Acompanhei a trajetória petista passo a passo e ao fundar o Jornal da República, que nasceu e morreu comigo depois de menos de cinco meses de vida, fracasso esculpido por Michelangelo em dia de desbordante inspiração, passei a publicar diariamente uma página dedicada ao trabalho, onde escreviam os novos representantes do sindicalismo brasileiro. Ao longo do caminho, o partido soube retocar seu ideário conforme tempos diferentes, mas permaneceu fiel aos propósitos iniciais e como agremiação distinta das demais surgidas da reforma partidária de 1979, marcado por um senso de honestidade e responsabilidade insólito no nosso cenário.
Antonio Palocci é apenas um exemplo de uma pretensa e lamentável modernidade, transformação que nega o passado digno para mergulhar em um presente que iguala o PT a todos os demais. Parece não haver no Brasil outro exemplo aplicável de partido do poder, é a conclusão inescapável. Perguntam os botões desolados: onde sobraram os trabalhadores? Uma agremiação surgida para fazer do trabalho a sua razão de ser, passa a cuidar dos interesses do lado oposto. Não se trataria, aliás, de fomentar o conflito, pelo contrário, de achar o ponto de encontro, como o próprio Lula conseguiu como atilado negociador na presidência do sindicato.
Há muito tempo, confesso, tenho dúvidas a respeito da realidade de uma esquerda brasileira, ao longo da chamada redemocratização e esgotadas outras épocas em que certos confrontos em andamento no mundo ecoavam por aqui. Tendo a crer, no momento, que a esquerda nativa é uma criação de fantasia, como a marca da Coca-Cola, que, aliás, o mítico Che Guevara bebia ironicamente às talagadas na Conferência da OEA, em 1961, em Punta del Este. Quanto à ideologia, contento-me com a tese de Norberto Bobbio: esquerdista hoje em dia é quem, aspirante à igualdade certo da insuficiência da simples liberdade exposta ao assalto do poderoso, luta a favor dos desvalidos. Incrível: até por razões práticas, a bem de um capitalismo necessitado de consumidores.
Nem a tanto se inclina a atual esquerda verde-amarela, na qual milita, digamos, o ultracomunista Aldo Rebelo, disposto a anistiar os vândalos da desmatação. E como não anistiar o ex-camarada Palocci? Lula fez um bom governo, talvez o melhor da história da República, graças a uma política exterior pela primeira vez independente e ao empenho a favor dos pobres e dos miseráveis, fartamente demonstrado. CartaCapital não regateou louvores a estes desempenhos, embora notasse as divergências que dividem o PT em nome de hipócritas interpretações de uma ideologia primária.
Na opinião de CartaCapital, e dos meus botões, não é tarefa de Lula defender o indefensável Antonio Palocci, e sim de ajudar a presidenta Dilma a repor as coisas em ordem, pelos mesmos caminhos que em 2002 o levaram à Presidência com todos os méritos.
A posição da mídia nativa em relação ao Caso Palocci intriga os meus inquietos botões. Há quem claramente pretenda criar confusão. Outros tomam o partido do chefe da Casa Civil. Deste ponto de vista a Veja chega aos píncaros: Palocci em Brasília é o paladino da razão e se puxar seus cadarços vai levitar.
Ocorre que Antonio Palocci tornou-se um caso à parte ao ocupar um cargo determinante como a chefia da Casa Civil, mas com perfil diferente daqueles que o precederam na Presidência de Lula. José Dirceu acabou pregado na cruz. Dilma foi criticada com extrema aspereza inúmeras vezes e sofreu insinuações e acusações descabidas sem conta. A bem da sacrossanta verdade factual, ainda no Ministério da Fazenda o ex-prefeito de Ribeirão Preto deu para ser apreciado pelo chamado establishment e seu instrumento, a mídia nativa.
As ações de Palocci despencaram quando surgiu em cena o caseiro Francenildo, e talvez nada disso ocorresse em outra circunstância, porque aquele entrecho era lenha no fogo da campanha feroz contra a reeleição de Lula. Sabe-se, e não faltam provas a respeito, de que uma contenda surda desenrolava-se dentro do governo entre Palocci e José Dirceu. Consta que o atual chefe da Casa Civil e Dilma não se bicavam durante o segundo mandato de Lula, o qual seria enfim patrocinador do seu retorno à ribalta.
E com poderes largos, como grande conselheiro, negociador junto à turma graúda, interlocutor privilegiado do mercado financeiro e do empresariado, a contar com a simpatia de amplos setores da mídia nativa. Um ex-trotskista virou figura querida do establishment, vale dizer com todas as letras. Ele trafega com a devida solenidade pelas páginas impressas e nos vídeos, mas é convenientemente escondido quando é preciso, como se envergasse um uniforme mimético a disfarçá-lo na selva da política.
Murmuram os botões, em tom sinistro e ao mesmo tempo conformado: pois é, a política… Está claro que se Lula volta à cena para orquestrar a defesa de Palocci com a colaboração de figuras imponentes como José Sarney, o propósito é interferir no jogo do poder ameaçado e garantir a estabilidade do governo de Dilma Rousseff, fragilizado nesta circunstância.
A explicação basta? Os botões negam. CartaCapital sempre se postou contra a busca do poder pelo poder por entender que a política também há de ser pautada pela moral e pela ética, igual a toda atividade humana. Fatti non foste a viver come bruti, disse Dante Alighieri. Traduzo livremente: vocês não foram criados para praticar, embrutecidos, a lei do mais forte. Nós de CartaCapital poderemos ser tachados de ingênuos, ou iludidos nesta nossa crença, mas a consideramos inerente à prática do jornalismo.
No tempo de FHC, cumprimos a tarefa ao denunciar as mazelas daqueles que Palocci diz imitar, na aparente certeza de que, por causa disso, merece a indulgência plenária. Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Rezende, e outros fortemente enriquecidos ao deixarem o governo graças ao uso desabrido da inside information, foram alvo de CartaCapital, e condenados sem apelação. Somos de coerência solar ao mirar agora em Antonio Palocci.
Em outra época, os vilões foram tucanos. Chegou a hora do PT, um partido que, alcançado o poder, se portou como os demais, clubes armados para o deleite dos representantes da minoria privilegiada. Devo dizer que conheço muito bem a história do Partido dos Trabalhadores. A primeira reportagem de capa publicada por uma semanal sobre a liderança nascente de Luiz Inácio da Silva, dito o Lula, remonta a começos de fevereiro de 1978. IstoÉ foi a revista, eu a dirigia. Escrevi a reportagem e em parceria com Bernardo Lerer entrevistei o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, na vanguarda de um sindicalismo oposto ao dos pelegos.
Dizia a chamada de capa, estampada sobre o rosto volitivo do jovem líder: Lula e os Trabalhadores do Brasil. Já então sabia do seu projeto, criar um partido para defender pobres e miseráveis do País. Acompanhei a trajetória petista passo a passo e ao fundar o Jornal da República, que nasceu e morreu comigo depois de menos de cinco meses de vida, fracasso esculpido por Michelangelo em dia de desbordante inspiração, passei a publicar diariamente uma página dedicada ao trabalho, onde escreviam os novos representantes do sindicalismo brasileiro. Ao longo do caminho, o partido soube retocar seu ideário conforme tempos diferentes, mas permaneceu fiel aos propósitos iniciais e como agremiação distinta das demais surgidas da reforma partidária de 1979, marcado por um senso de honestidade e responsabilidade insólito no nosso cenário.
Antonio Palocci é apenas um exemplo de uma pretensa e lamentável modernidade, transformação que nega o passado digno para mergulhar em um presente que iguala o PT a todos os demais. Parece não haver no Brasil outro exemplo aplicável de partido do poder, é a conclusão inescapável. Perguntam os botões desolados: onde sobraram os trabalhadores? Uma agremiação surgida para fazer do trabalho a sua razão de ser, passa a cuidar dos interesses do lado oposto. Não se trataria, aliás, de fomentar o conflito, pelo contrário, de achar o ponto de encontro, como o próprio Lula conseguiu como atilado negociador na presidência do sindicato.
Há muito tempo, confesso, tenho dúvidas a respeito da realidade de uma esquerda brasileira, ao longo da chamada redemocratização e esgotadas outras épocas em que certos confrontos em andamento no mundo ecoavam por aqui. Tendo a crer, no momento, que a esquerda nativa é uma criação de fantasia, como a marca da Coca-Cola, que, aliás, o mítico Che Guevara bebia ironicamente às talagadas na Conferência da OEA, em 1961, em Punta del Este. Quanto à ideologia, contento-me com a tese de Norberto Bobbio: esquerdista hoje em dia é quem, aspirante à igualdade certo da insuficiência da simples liberdade exposta ao assalto do poderoso, luta a favor dos desvalidos. Incrível: até por razões práticas, a bem de um capitalismo necessitado de consumidores.
Nem a tanto se inclina a atual esquerda verde-amarela, na qual milita, digamos, o ultracomunista Aldo Rebelo, disposto a anistiar os vândalos da desmatação. E como não anistiar o ex-camarada Palocci? Lula fez um bom governo, talvez o melhor da história da República, graças a uma política exterior pela primeira vez independente e ao empenho a favor dos pobres e dos miseráveis, fartamente demonstrado. CartaCapital não regateou louvores a estes desempenhos, embora notasse as divergências que dividem o PT em nome de hipócritas interpretações de uma ideologia primária.
Na opinião de CartaCapital, e dos meus botões, não é tarefa de Lula defender o indefensável Antonio Palocci, e sim de ajudar a presidenta Dilma a repor as coisas em ordem, pelos mesmos caminhos que em 2002 o levaram à Presidência com todos os méritos.
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